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Letícia Gonçalves

"Foi o vento bolsonarista", diz Casagrande sobre vitória de Pazolini no ES

Ex-governador apoiou Ricardo Ferraço (MDB), que foi derrotado. Em entrevista à coluna, o socialista avaliou que "qualquer outro candidato (em vez de Ricardo), passaria pela mesma situação"

Publicado em 26 de Outubro de 2026 às 18:50

Públicado em 

26 out 2026 às 18:50
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Renato Casagrande comemora sua vitória ao Senado
Ex-governador Renato Casagrande foi eleito senador pelo Espírito Santo Rodrigo Gavini

O governador Ricardo Ferraço (MDB) foi derrotado pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo Palácio Anchieta no domingo (25). E isso foi um revés também para o ex-governador Renato Casagrande (PSB), fiador da candidatura do emedebista.

Em entrevista à coluna nesta segunda-feira (26), Casagrande atribuiu a vitória de Pazolini ao "vento bolsonarista".


O ex-prefeito foi apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), o candidato à Presidência da República mais votado no estado. 


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O ex-governador descartou a tese de que o perfil de Ricardo — um homem de 63 anos que exerce mandatos eletivos desde 1983 — tenha pesado para o resultado da eleição estadual. 

Mas e se Casagrande tivesse lançado outro nome como candidato governista?


"Se fosse qualquer outro candidato, passaria pela mesma situação", respondeu ele.


A votação no primeiro turno foi especialmente amarga para Ricardo. Pazolini quase venceu numa tacada só, alcançou 49,65% dos votos. O governador ficou 15,59 pontos percentuais atrás.


Na segunda etapa do pleito, o emedebista reagiu. A diferença entre o republicano e o emedebista foi de 4,34 pontos percentuais. 


O placar: 52,17% para Pazolini e 47,83% para Ricardo.


Casagrande, por sua vez, foi eleito senador no último dia 4. 


Nesta entrevista, ele também foi questionado a respeito de uma eventual candidatura ao
Palácio Anchieta em 2030.

Confira:


A que o senhor atribui o crescimento do governador Ricardo Ferraço (MDB) no segundo turno? E por que isso não foi suficiente para que ele pudesse virar sobre Lorenzo Pazolini (Republicanos)?

O crescimento tem a ver com o acerto da campanha e a energia que Ricardo colocou no segundo turno. 

Ele fez um debate mais direto com o Pazolini, fez o enfrentamento, e isso deu a ele um crescimento vertiginoso.

Mas no segundo turno ainda prevaleceu o vento da polarização política. O vínculo com a campanha nacional fortaleceu o Pazolini. 

Ricardo não fez um vínculo direto e conquistou alguns votos do 22 (número de urna do PL de Flávio Bolsonaro). A gente quase chegou lá.

Mas houve também a migração dos votos do Helder Salomão, que foi o candidato do PT ao Palácio Anchieta no primeiro turno. Esses votos, creio, foram majoritariamente para o Ricardo.


Sim. A migração dos votos do Helder foi fundamental. Foi importante a energia que o PT colocou na rua.

Mas a ligação do Flávio com Pazolini também deu energia a ele.

Pazolini não tinha presença em todo o estado, no interior. Ele foi prefeito de Vitória. O que o impulsionou foi o vínculo com o bolsonarismo.

O bolsonarismo foi até mais forte no primeiro turno e por isso Pazolini quase ganhou no primeiro turno.

Outra coisa que ajudou o Ricardo foi que o governo estadual é bem avaliado.

Ricardo fez uma disputa digna e leal.

E se o senhor tivesse lançado outro nome como candidato governista, em vez do Ricardo? O resultado não poderia ter sido diferente? 

O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), por exemplo, tentou ser o nome apoiado pelo senhor.

É difícil fazer uma análise do que não aconteceu. O Espírito Santo é muito bolsonarista.

Então o Ricardo deveria ter declarado apoio ao Flávio Bolsonaro na corrida pela Presidência da República?

Não digo que Ricardo deveria ter feito esse vínculo.

Além do bolsonarismo, outro fator que pode ter pesado para a vitória do Pazolini é a questão geracional. O ex-prefeito de Vitória é mais jovem e tem menos tempo na vida pública...

Ricardo tem energia, saúde e disposição. Não foi a questão da idade, não foi a questão do perfil dele.

Foi o vento bolsonarista.

Se fosse qualquer outro candidato, passaria pela mesma situação

   

Na eleição de 2022, o bolsonarismo também foi forte no Espírito Santo, mas o senhor venceu Carlos Manato, na época filiado ao PL, na disputa pelo governo estadual.

Em 2022 eu venci, mas não vou analisar 2022.

Em 2026 foi isso que aconteceu (o bolsonarismo foi preponderante).

O senhor esteve com o Ricardo após a apuração do segundo turno? Como ele recebeu o resultado?

Falei com ele por telefone (esta entrevista foi concedida às 13h15 desta segunda).

Ricardo está com a alma leve

  

Como vai ser a relação do senhor, como senador, com Pazolini a partir do ano que vem? 

É que um governador deve manter contato com senadores em busca de interlocução com o governo federal ou envio de recursos de emendas parlamentares para o estado, por exemplo.

Estarei inteiramente à disposição do estado, independentemente de quem seja o governador.

E tenho a missão de defender o legado do nosso governo, assim como eu fiz de 2014 a 2018, quando eu estava sem mandato.

O Espírito Santo pode contar comigo.

Se Pazolini pedir para conversar com o senhor, por exemplo, o senhor vai manter diálogo com ele?

Para discutir questões de interesse do estado, estarei sempre à disposição.

Agora, vou ainda mais longe, vou perguntar sobre 2030. O senhor pode disputar o governo contra Pazolini (que presumivelmente vai tentar a reeleição)? Ou descarta isso de pronto?

Vou cumprir meu mandato de senador (que dura oito anos)

   

Já governei o estado por três mandatos e não tem nenhum projeto nesse sentido.

Minha tarefa agora é ser senador.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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