O governador Ricardo Ferraço (MDB) foi derrotado pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo Palácio Anchieta no domingo (25). E isso foi um revés também para o ex-governador Renato Casagrande (PSB), fiador da candidatura do emedebista.
Em entrevista à coluna nesta segunda-feira (26), Casagrande atribuiu a vitória de Pazolini ao "vento bolsonarista".
O ex-prefeito foi apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), o candidato à Presidência da República mais votado no estado.
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O ex-governador descartou a tese de que o perfil de Ricardo — um homem de 63 anos que exerce mandatos eletivos desde 1983 — tenha pesado para o resultado da eleição estadual.
Mas e se Casagrande tivesse lançado outro nome como candidato governista?
"Se fosse qualquer outro candidato, passaria pela mesma situação", respondeu ele.
A votação no primeiro turno foi especialmente amarga para Ricardo. Pazolini quase venceu numa tacada só, alcançou 49,65% dos votos. O governador ficou 15,59 pontos percentuais atrás.
Na segunda etapa do pleito, o emedebista reagiu. A diferença entre o republicano e o emedebista foi de 4,34 pontos percentuais.
O placar: 52,17% para Pazolini e 47,83% para Ricardo.
Casagrande, por sua vez, foi eleito senador no último dia 4.
Nesta entrevista, ele também foi questionado a respeito de uma eventual candidatura ao
Palácio Anchieta em 2030.
Confira:
Mas no segundo turno ainda prevaleceu o vento da polarização política. O vínculo com a campanha nacional fortaleceu o Pazolini.
Mas houve também a migração dos votos do Helder Salomão, que foi o candidato do PT ao Palácio Anchieta no primeiro turno. Esses votos, creio, foram majoritariamente para o Ricardo.
Sim. A migração dos votos do Helder foi fundamental. Foi importante a energia que o PT colocou na rua.
Mas a ligação do Flávio com Pazolini também deu energia a ele.
Pazolini não tinha presença em todo o estado, no interior. Ele foi prefeito de Vitória. O que o impulsionou foi o vínculo com o bolsonarismo.
O bolsonarismo foi até mais forte no primeiro turno e por isso Pazolini quase ganhou no primeiro turno.
Outra coisa que ajudou o Ricardo foi que o governo estadual é bem avaliado.
Ricardo fez uma disputa digna e leal.
É difícil fazer uma análise do que não aconteceu. O Espírito Santo é muito bolsonarista.
Não digo que Ricardo deveria ter feito esse vínculo.
Foi o vento bolsonarista.
Se fosse qualquer outro candidato, passaria pela mesma situação
Em 2022 eu venci, mas não vou analisar 2022.
Em 2026 foi isso que aconteceu (o bolsonarismo foi preponderante).
O senhor esteve com o Ricardo após a apuração do segundo turno? Como ele recebeu o resultado?
Ricardo está com a alma leve
Vou cumprir meu mandato de senador (que dura oito anos)
Minha tarefa agora é ser senador.
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