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Com o carro oficial

Deputado que recusou bafômetro diz que foi levar presentes a embaixador do Azerbaijão

Lucas Polese (PL) insiste na tese de que é perseguido por comandante da PM e, por isso, não fez o teste ao dirigir carro oficial da Assembleia, em Vitória. Parlamentar não explicou, porém, porque auto de infração registrou que ele apresentava "odor etílico"

Publicado em 16 de Maio de 2023 às 02:10

Públicado em 

16 mai 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

O deputado estadual Lucas Polese (PL)
O deputado estadual Lucas Polese (PL) Crédito: Ellen Campanharo/Ales
A questão central envolvendo a blitz na qual o deputado estadual Lucas Polese (PL) foi parado e multado, no último dia 6, em Vitória, é o fato de ele ter se recusado a realizar o teste do bafômetro. Com o agravante de que o parlamentar dirigia um carro oficial disponibilizado pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo. 
Desde então, à imprensa, o deputado manifestou-se apenas por meio de uma nota oficial, em que afirma que, na madrugada daquele sábado, seguia para uma missão oficial no Hotel Sheraton, na Praia do Canto, quando foi abordado. E que, após o auto de infração, concluiu a agenda.
Ele não diz se ingeriu ou não bebida alcoólica e tampouco explica porque a PM registrou, na ocorrência, que o parlamentar "apresentava odor etílico". 
Também não respondeu qual era a agenda no hotel, apesar de insistentes pedidos da coluna e de repórteres da Rede Gazeta por entrevistas. 
Na semana passada, Polese apareceu em um podcast. Na conversa, afirmou que, após a blitz, foi ao Sheraton entregar presentes ao embaixador do Azerbaijão, Rashad Novruz, que lá estava hospedado.
Horas antes, o deputado havia jantado com o representante do país do Leste Europeu em um restaurante da Praia do Canto, como a coluna já havia publicado. "Nesse caminho do jantar para o Sheraton, eu fui parado na blitz", contou Polese ao podcaster.
"Meu carro estava atolado de presente que ele (o embaixador) ganhou, de prefeito, empresário, nessa viagem que ele fez pelo estado", afirmou.
Novruz cumpriu agendas no Espírito Santo nos dias 3, 4 e 5 de maio. Polese, por alguma razão, foi o "embaixador do embaixador" no Espírito Santo e o levou a cidades do interior e à sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), por exemplo, de acordo com registros nas redes sociais e sites de notícias de pequenos municípios. 
"Cheguei no Sheraton, descarreguei a pilha de presentes que eu tinha para descarregar dele, conversei com o pessoal da recepção. Isso é era quase duas horas da manhã", narrou o parlamentar. 
Ele ainda apresentou uma carta, que atribuiu ao gerente do hotel. O texto afirma que o deputado chegou ao local à 1h54 da manhã de sábado (6) e saiu à 1h57, "sem demonstrar nenhum sinal de embriaguez".
"Isso tudo tem filmado. Se A Gazeta tivesse interesse em esclarecer os fatos, poderiam ter pedido essas imagens", provocou.
Se o deputado tivesse atendido a coluna, saberia que tentei contato com o/a gerente do Hotel Sheraton Vitória. Por dias seguidos. Ele/ela nunca podia falar ao telefone. Deixei diversos recados. Nenhum retorno.
Assim, não pude atestar a veracidade da carta e tampouco solicitar as imagens das câmeras.
O X DA QUESTÃO
A coluna nunca disse que o deputado não estava em agenda oficial na madrugada de sábado e sim que ele não havia informado qual era tal agenda. O que é verdade, até esta manifestação no podcast.
As outras lacunas, porém, continuam em aberto. E a principal delas: a suspeita de que o deputado dirigiu o carro oficial alugado pela Assembleia Legislativa logo após ingerir bebida alcoólica.
Somente o etilômetro poderia afastar essa suspeição. Mas o parlamentar esquivou-se do aparelho. Ele alegou, em nota e no podcast, que teme sofrer perseguição por parte da "alta cúpula da Segurança Pública", em especial do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, a quem criticou publicamente, antes desse imbróglio todo.
"Ele (Caus) tem o desejo nítido de me perseguir, me cassar, de acabar com a minha vida", afirmou.
Assim, nas entrelinhas, infere que os policiais que estão nas ruas, nas blitze, poderiam forjar provas contra um deputado estadual a mando da "alta cúpula" da Sesp.
Contraditoriamente, Polese também afirmou que os militares que o abordaram agiram dentro da legalidade.
Logo, temos que ressaltar a fé pública do PM que anotou no auto de infração que o parlamentar apresentava "odor etílico".
O coronel Caus, procurado pela coluna, disse que nem conhece Polese, pessoalmente. "Nunca estive com ele e não tenho nada contra ele. Apenas o argui, judicialmente, para que apresente provas de assédio (contra policiais), que ele diz ter contra mim. Do contrário, terei que mover uma ação por calúnia e danos morais", afirmou.
"As ações da PM (as blitze) não são voltadas a um cidadão. São para todos"
Coronel Douglas Caus - Comandante-geral da Polícia Militar do Espírtio Santo
"Há um planejamento mensal das blitze a serem realizadas. Foram duas mil recusas ao teste do bafômetro desde o início do ano. Continuaremos com as blitze e não há nenhuma interferência do comando-geral", ressaltou Caus.
Já registrei neste espaço e repito: se Lucas Polese bebeu um pouco no jantar com o embaixador, tudo bem. O problema foi, nessa hipótese, assumir o volante do Toyota Corolla disponibilizado ao gabinete.
E, depois de flagrado na blitz, repassar a direção a uma pessoa que não trabalha na Assembleia.
Outra contradição: no podcast, o deputado diz confiar em 99% dos policiais militares. Mas, em áudio enviado a um grupo de WhatsApp formado por jovens lideranças políticas, o mesmo Polese afirma que, se for parado em dez blitze, vai recusar o bafômetro nas dez. 
O percentual de confiança, portanto, é inversamente proporcional ao escrutínio a que o parlamentar admite se submeter.
Atestar que não ingeriu bebida alcoólica ao dirigir um veículo pago com dinheiro público não é exigir muito. É o mínimo.
Aliás, Mazinho dos Anjos (PSDB) também foi parado em uma blitz, quando dirigia o carro oficial, em Vitória, na última quarta-feira (10). Fez o teste do bafômetro, passou e seguiu para casa. Nem doeu.
ATAQUES A ONG E À IMPRENSA
Em vez de explicar o "odor etílico", embora uma explicação plausível seja improvável, Lucas Polese preferiu atacar quem cobra respostas. 
No podcast, o deputado afirmou que, "pela Gazeta, Lucas Polese é o maior playboy do Espírito Santo. Vai para a Praia do Canto, enche a cara, um irresponsável, depois sai, dando pinote de carro, batendo racha, bêbado".
Nenhum veículo da Rede Gazeta veiculou tais coisas. Ou seja, o parlamentar mentiu. 
Ele também afirmou que vai exigir "direito de resposta", sendo que, dede que o caso veio à tona, foi lhe oferecida a oportunidade de conceder entrevistas, dar respostas, mas Polese preferiu não fazê-lo. 
Talvez porque manifestar-se via redes sociais, sem o risco de ser questionado como deveria, é mais fácil.
Cabe registrar que, desde a última segunda (8), esta colunista telefonou, enviou mensagens e até falou ao vivo na Rádio CBN Vitória que estava à disposição para ouvir o deputado. 
Assembleia do ES aluga 31 carros por R$ 3,9 milhões para deputados, em Vitória
Um dos carros alugados pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo para uso dos deputados estaduais quando em deslocamentos relativos ao mandato Crédito: Ricardo Medeiros
A ONG Transparência Capixaba registrou representações contra Lucas Polese na Assembleia e no Ministério Público. E pediu que todos os Poderes e instituições estaduais identifiquem os carros oficiais que transportam autoridades
A entidade também foi alvo do parlamentar, na internet.
Para Polese, o problema é que o atual secretário estadual de Controle e Transparência do governo Renato Casagrande (PSB), Edmar Camata, é ex-secretário-geral da ONG. E que uma das diretoras da entidade trabalha no governo.
A falta de um mísero adesivo nos carros oficiais pagos com dinheiro público, para que a sociedade possa fiscalizar a utilização desses veículos? O fato de um parlamentar se recusar a atestar sobriedade ao dirigir um deles? Parecem ser assuntos de menor importância. 
A Transparência Capixaba poderia ser mais incisiva nas cobranças ao governo Casagrande? Pode ser. Mas, como o nome diz, é uma Organização Não Governamental, não é alimentada pelo nosso dinheiro. O parlamentar, sim.
Antes que Polese diga que estou insinuando que ele pediu para receber o tíquete-alimentação de R$ 1,8 mil, fica o registro: o deputado está na lista dos que não solicitaram o benefício. A Assembleia aprovou, de forma unânime, o pagamento do auxílio, no último dia 19. 
A benesse teve o voto favorável até de Lucas Polese, mas ele alegou que não sabia que isso estava em pauta quando concordou com a proposta.
Em tempo: os carros oficiais que transportam governador, vice e secretários da gestão Casagrande, via de regra, também carecem de identificação, como a coluna mostrou nesta segunda. Os da Secont, pasta chefiada por Edmar Camata, têm adesivos.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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