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Deputado do ES: "Se for parado em dez blitze, recuso o bafômetro nas dez"

Lucas Polese (PL) não quis se submeter ao teste quando dirigia o carro oficial da Assembleia Legislativa. Auto de infração registra que ele apresentava "odor etílico". Parlamentar alega não querer dar "abertura" para ser perseguido

Publicado em 09 de Maio de 2023 às 12:30

Públicado em 

09 mai 2023 às 12:30
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Deputado estadual Lucas Polese durante sessão da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Deputado estadual Lucas Polese durante sessão da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Lucas S. Costa/Ales
O deputado estadual Lucas Polese (PL) ainda não atendeu a coluna para responder a questões que ficaram no ar após a blitz da Polícia Militar realizada na Praia do Canto, em Vitória, na madrugada do último sábado (6). O parlamentar recusou-se a fazer o teste do bafômetro e, de acordo com o policial que lavrou o auto de infração, apresentava "odor etílico".
Ele dirigia um carro oficial, alugado pela Assembleia Legislativa. O veículo deve ser usado apenas em deslocamentos que envolvam atividades ligadas ao mandato.
Em áudio enviado a um grupo de WhatsApp do qual fazem parte outras lideranças políticas, Polese, na segunda-feira (8), rebateu críticas e afirmou que, se parado em outras dez blitze, vai recusar o etilômetro em todas elas:
"Se for parado em mais 10 blitz (blitze, no plural), eu recuso o bafômetro nas dez. Aonde que eu vou dar a abertura para quem quer me ferrar na alta cúpula da polícia? Coronel Caus (comandante-geral da PMES) conseguir, finalmente? Jamais, rapaz, jamais".
A coluna recebeu o áudio de uma fonte, que confirmou que a mensagem foi enviada pelo parlamentar no grupo.
Em nota enviada à imprensa, Polese já havia dito que foi orientado "pelo jurídico" a "jamais" submeter-se ao teste do bafômetro. E afirmou ter receio de sofrer "retaliações, tramas e perseguições" devido à "batalha" que trava "contra a alta cúpula da Segurança Pública".
Implicitamente, assim, o deputado avalia que soldados que estão nas ruas, nas blitze, seriam capazes de forjar provas apenas para prejudicar críticos da "alta cúpula".
E ainda desconfia dos aparelhos etilômetros. Normalmente, como a coluna já pontuou, são os motoristas que tentam enganar o bafômetro, e não o contrário.
Apesar da implicação, na mesma nota oficial, Polese elogiou o trabalho dos policiais que realizaram a blitz em que ele foi parado. Disse ter sido tratado com respeito e cordialidade e que os PMs agiram respeitando a lei.
Como, então, fazer o teste do bafômetro seria "dar abertura" para o coronel Caus, que nem estava lá?
O deputado foi multado em R$ 2,9 mil por recusar o etilômetro, mesmo valor que teria que desembolsar se o aparelho indicasse que ele ingeriu bebida alcoólica.
Ouça o áudio enviado por Lucas Polese:
Deputado estadual Lucas Polese diz que vai recusar bafômetro "dez vezes", se parado em dez blitze
Muito provavelmente, os policiais que pararam o Toyota Corolla alugado pela Assembleia, e que fica à disposição do gabinete de Lucas Polese, nem sabiam, previamente, tratar-se de um carro oficial.
Afinal, o veículo não tem placas pretas, adesivos, nada que o identifique como tal.
Além disso, o parlamentar poderia exigir uma contraprova. Se contestasse o resultado, faria o teste em outro etilômetro, por exemplo.
E AS CÂMERAS NAS FARDAS, HEIN?
Ironicamente, algo que poderia dar mais segurança a Lucas Polese ao ser parado nas blitze da PM seriam as câmeras corporais instaladas nas fardas dos militares.
A PM planeja adotar os equipamentos, mas o deputado é contra.
No dia 1º de março, o parlamentar votou a favor do projeto de decreto legislativo proposto pelo colega Callegari (PL), que pretendia suspender o uso das câmeras nos uniformes dos policiais penais, o que já foi adotado pela Secretaria Estadual de Justiça.
O projeto não foi aprovado pela Assembleia.
Ainda em 1º de março, ele redigiu um requerimento de informação, destinado ao secretário estadual de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho. 
"Tendo em vista a existência de estudos que comprovam a ineficácia de sua utilização, favor informar se foram realizados estudos para verificar a efetividade da utilização das câmeras corporais no âmbito do Estado do Espírito Santo", solicitou o deputado, entre outras questões.
Não sei a qual estudo Polese se refere, mas levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que o uso de câmeras nas fardas dos policiais militares de São Paulo evitou 104 mortes no período de um ano. E o número de armas apreendidas aumentou 24%. 
Ora, se os policiais que abordaram o deputado em Vitória tivessem câmeras corporais, as imagens mostrariam a realização do teste do bafômetro e se houve ou não alguma manipulação. O resultado do exame sai na hora.
Da mesma forma, já que Polese alega que pode ser alvo de "perseguições", se o teste do bafômetro indicasse que ele ingeriu bebida alcoólica e, por isso, acusasse os PMs de participar da "trama", os militares teriam as imagens para se defender.
Via de regra, os contrários ao uso do equipamento avaliam que isso seria um constrangimento para os policiais e que eles não precisam ser "vigiados". A palavra de um militar tem que valer mais que a de um criminoso ou infrator. E pronto, argumentam.
Além disso, os policiais ficariam sem "liberdade" para atuar nas abordagens. Liberdade para fazer o que não pode ser gravado? Estranho.
Como já avaliei neste espaço, um policial que age dentro da lei teria a câmera corporal como aliada.
Ao autuar alguém numa blitz, poderia rebater, de imediato, a tese de "perseguição" do motorista infrator.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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