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Letícia Gonçalves

Dança das cadeiras no ES: o novo xadrez político de Contarato em 2026

Oficializado pelo PT, senador rebate críticas e enfrenta os nós políticos da federação de esquerda para garantir novo mandato

Publicado em 07 de Julho de 2026 às 15:49

Públicado em 

07 jul 2026 às 15:49
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Lançamento das pré-candidaturas de Helder Salomão e Fabiano Contarato
Lançamento das pré-candidaturas de Helder Salomão e Fabiano Contarato, no último dia 4 em Cariacica Davi Abarca/Divulgação
O PT lançou oficialmente, no último sábado (04), a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato à reeleição. Em 2018, ele foi o candidato mais votado do Espírito Santo, escolhido por 1.117.036 eleitores.

O cenário, agora, entretanto, é diferente. Naquele ano, Contarato estava filiado à Rede Sustentabilidade, numa coligação com Podemos, MDB, PRTB, Patriota e PMN.

Desde 2022, o senador integra os quadros do Partido dos Trabalhadores e vai às urnas associado aos demais membros da federação Brasil da Esperança, PV e PCdoB. O PSOL e a Rede também vão compor a coligação.

Não raro, Contarato é "acusado" de ter passado uma imagem diferente, mais distante da esquerda e colada à fama de "delegado linha-dura" em 2018 em comparação com o "sempre fui petista" que entoou em 2022.

Em entrevista à coluna, no sábado, ele rebateu, mais uma vez, essa percepção.

"Tenho minha consciência tranquila. Em 2018, fui eleito pelo partido Rede Sustentabilidade, que tinha como pré-candidata (à Presidência da República) a ex-senadora Marina Silva", afirmou o senador, lembrando que na primeira vez que foi eleito já estava filiado a um partido de esquerda e defendia uma candidatura também de esquerda ao Palácio do Planalto.

"Sempre defendi na minha campanha, lá atrás, o combate à corrupção e eu alterei a lei fazendo isso. Cadeia para motorista bêbado que matar é lei de minha autoria. Eu sempre defendi os direitos humanos. Eu percorria, como delegado, os presídios para falar da erradicação da tortura. Sempre lutei pelas pautas sociais, pelas pautas civilizatórias", completou.

"Respeito a opinião e a decisão do eleitor, mas tenho a consciência tranquila de que meu mandato tem 100% de adesão com o projeto que fiz lá em 2018. Desafio qualquer pessoa a falar 'ah, você defendia o ex-presidente Bolsonaro'. Nunca eu fiz isso", ressaltou Contarato.

DANÇA DAS CADEIRAS

Mas não foi apenas a filiação partidária do senador que mudou. O contexto também é outro. Graças às voltas que a vida política dá, houve uma espécie de dança das cadeiras.

Em 2018, a coligação integrada pela Rede apoiava a candidatura de Rose de Freitas (então senadora e filiada ao Podemos) ao governo do Espírito Santo. 

Hoje, Rose está sem mandato, filiada ao MDB e tenta voltar ao Senado. Mas não está mais no mesmo grupo de Contarato. Ela é aliada de Renato Casagrande (PSB) e Ricardo Ferraço (MDB).

Ricardo, aliás, foi um dos grandes perdedores do pleito de 2018. Filiado ao PSDB, disputou a reeleição para o Senado, recebeu 480.122 votos e ficou na planície, apesar de ter contado com o apoio do socialista.

Agora, Ricardo está à frente do Palácio Anchieta e concorre à reeleição.

Casagrande, por sua vez, foi eleito para o governo em 2018 e, desta vez, é pré-candidato ao Senado.

Contarato defende a pré-candidatura do correligionário Helder Salomão ao Palácio Anchieta.

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Mais uma vez, Contarato e Casagrande estão em palanques diferentes, uma vez que o socialista é o principal apoiador de Ricardo.

O ex-governador, porém, tem proximidade com o PT e vice-versa. 

Em março, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, João Coser, afirmou à coluna que eleger Casagrande senador é uma das prioridades da sigla, junto com a reeleição de Contarato e a eleição de Helder.

A ideia seria defender Contarato como primeiro voto para senador e Casagrande como o segundo. Ainda que informalmente, já que estão em coligações diferentes.

Afinal, há duas vagas em disputa em 2026.

Ocorre que na coligação do PT, o PSOL também quer lançar um nome ao Senado, Carlos Fabian.

Como Contarato vai se posicionar? Vai pedir votos para Casagrande?

"Isso é uma construção partidária. Nós fazemos parte de uma federação. Não posso responder pela presidência ou pela Executiva do partido. Tudo isso está sendo debatido internamente e no momento oportuno nós vamos nos posicionar sobre quem vai ser o segundo voto dessa federação", respondeu o senador.

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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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