Em seguida, Colnago "mergulhou", evitou dar declarações públicas. Na última sexta-feira (6), em conversa com a coluna, afirmou que ser candidato ao governo não era uma condição para ingressar no PSD e sim a garantia de poder disputar um cargo majoritário. Além de governador, os postos de vice e senador são majoritários. E o último é o que se apresenta para Colnago no PSD.
Nesta segunda-feira (9), Colnago se reuniu com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e ouviu dele que a vaga de candidato a senador está para jogo.
"Me reuni com Kassab em São Paulo e recebi, como garantia, que serei candidato a majoritária nas eleições de outubro. Não existe nenhuma chance de eu me candidatar a deputado federal ou ficar fora do pleito", afirmou. Depois da publicação deste texto, complementou:
"O candidato ao governo é Guerino. Eu pretendo disputar o Senado".
No quesito intenção de voto para o governo do estado, Colnago e Guerino estão no mesmo patamar. Enquanto o governador Renato Casagrande (PSB) lidera a pesquisa Ipec divulgada no último dia 2,
com 42% das intenções estimuladas de voto, Guerino aparece em quinto lugar, com 5%.
No cenário em que Colnago é o pré-candidato testado, o ex-tucano também fica na posição número 5, com 3%.
O ex-vice-governador também conversa com outros pré-candidatos, como o ex-prefeito da Serra
Audifax Barcelos (Rede), que tem 7% das intenções estimuladas de voto no Ipec, e o deputado federal
Felipe Rigoni (União Brasil), que tem 2%.
"Audifax tem uma relação antiga comigo. Ele foi taxativo que é candidato a governador e não a outro cargo. Rigoni também se colocou como pré-candidato. E eu falei que sou candidato a um cargo majoritário", contou.
O PSD pode sair com uma chapa puro-sangue, se ficar isolado. Ou ceder os espaços de candidato a vice e a senador para partidos aliados.
No campo de oposição a Casagrande há ainda as pré-candidaturas do presidente da Assembleia Legislativa,
Erick Musso (Republicanos) e
Aridelmo Teixeira (Novo). Sem contar a do senador
Fabiano Contarato (PT), que é do campo da centro-esquerda e aguarda a solução do impasse entre PT e PSB quanto a uma eventual aliança no Espírito Santo.
No que diz respeito a Casagrande, para ele tanto melhor que os adversários se dividam. Colnago analisa que é da democracia, inclusive do jogo político interno dos partidos, que vários nomes se coloquem neste momento. A ver.
Colnago assumiu a presidência estadual do PSD e vai caber a ele, com autorização da Executiva, costurar as eventuais parcerias do partido no pleito deste ano.
Pelo menos pela foto do encontro com Kassab, que contempla também um Zé Carlinhos sorridente, os ruídos de comunicação, digamos assim, entre os dois parecem ter sido sanados.
O ex-vice-governador dedicou poucas palavras à saída do PSDB após 30 anos de filiação. O presidente estadual dos tucanos, Vandinho Leite, ironizou, à coluna, que Colnago
"caiu com o barulho da bala", ou seja, saiu do ninho sem que tivesse sido negado a ele o espaço para concorrer ao Palácio Anchieta.
De acordo com Vandinho, a ideia era apenas postergar a decisão sobre ter ou não candidatura própria. O PSDB, no entanto, estava e está cada vez mais próximo de Casagrande.
Colnago, lembrado das palavras do presidente estadual do PSDB, avaliou que, se tivesse permanecido no PSDB, talvez até conseguiria disputar um cargo majoritário, mas não iria pagar para ver.
"Poderia até acontecer, mas esperar não estava correto, não pode ser uma candidatura improvisada, de última hora", comentou.