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Casagrande alerta contra "retrocesso" e Manato se apoia no bolsonarismo

No primeiro horário eleitoral do segundo turno, os dois candidatos ao governo do ES criticaram "fake news" do adversário

Vitória
Publicado em 07/10/2022 às 14h45
Renato Casagrande e Carlos Manato no horário eleitoral
Renato Casagrande e Carlos Manato no horário eleitoral. Crédito: Reprodução

O governador Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição, abriu o primeiro dia do horário eleitoral, nesta sexta-feira (07), entoando o discurso que passou a adotar após o resultado da urnas na primeira etapa da votação. 

O socialista saiu na frente, com 46,94% dos votos válidos. Politicamente, entretanto, ficou enfraquecido por não ter liquidado a fatura de uma vez.

Na TV, alertou contra o risco de retrocesso, sem citar o nome do adversário, o ex-deputado federal Carlos Manato (PL).

O programa lembrou como era o Espírito Santo "no passado". Referia-se ao período anterior a 2002, quando Paulo Hartung assumiu o Palácio Anchieta. Mas também não mencionou o ex-governador.

"O Espírito Santo é hoje um estado equilibrado, que combate firmemente a corrupção, sendo considerado, em todos os rankings, o mais transparente do Brasil. Mas nem sempre foi assim", disse o narrador.

"Houve um tempo em que o Espírito Santo era dominado pelo crime organizado", emendou.

LE COCQ

Neste momento, apareceu na tela a logomarca da Scurderie Le Cocq, um grupo de extermínio que atuou no estado na década de 1990. 

O deputado federal Felipe Rigoni (União Brasil), que declarou apoio a Casagrande no segundo turno, lembrou, no último dia 4, que Manato foi associado à Le Cocq.

Propaganda de Casagrande exibe logomarca da Scuderie Le Cocq no horário eleitoral
Propaganda de Casagrande exibe logomarca da Scuderie Le Cocq no horário eleitoral. Crédito: Reprodução

Isso não foi mencionado na propaganda de Casagrande, ficou apenas no ar. 

Manato admitiu a A Gazeta que integrou a entidade, mas negou ter participado de quaisquer atividades criminosas, as quais diz que desconhecia. 

A propaganda exibiu também a imagem do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, assassinado em 2003 em Vila Velha.

"Quem viveu aquela época sabe, nosso estado só aparecia no noticiário nacional com manchetes negativas sobre violência e desorganização. Foi somente com um grande esforço da sociedade civil, em conjunto com instituições públicas e privadas, com lideranças políticas, que deixamos de ser um estado em que o crime organizado era a lei", afirmou o próprio Casagrande.

Talvez se preparando para críticas do adversário quanto à segurança pública, a peça também elencou ações do governo estadual nessa área, usou até o exemplo do assalto a banco em Santa Leopoldina para exemplificar que a quadrilha foi desarticulada e presa em menos de 24 horas.

Também lançou números para apontar a queda no número de homicídios.

"A gente demorou muito tempo para organizar esse estado. E podem acreditar: se para construir demora, para destruir é muito rápido", alertou Casagrande.

"Os capixabas precisam agora escolher entre dois caminhos: o caminho da ordem ou o caminho do caos", complementou o governador.

Depois veio toda uma série de afirmativas que começavam com "enquanto eles vêm com fake news... a gente vem com escolas de verdade, estradas de verdade, hospitais de verdade".

"O Espírito Santo não pode retroceder (...) que está em jogo não é o futuro do Casagrande, é o futuro do Espírito Santo, o seu futuro e o da sua família", concluiu.

MUDANÇA

No primeiro turno, Casagrande exibia na tela, basicamente, os feitos da atual gestão. 

Não havia, nem subliminarmente, mensagens contra adversários ou alertas dessa natureza. 

Os demais postulantes ao Palácio Anchieta faziam críticas à administração, que se acirraram mais perto do pleito, mas ficaram sem resposta.

Agora, o tom mudou. 

O coordenador da campanha pela reeleição do governador, Vitor de Angelo, avaliou, à coluna, que essa é uma mudança de postura natural. "Antes havia vários candidatos e agora há dois. Inevitavelmente, é (uma campanha) de comparação entre um e outro", afirmou.

FORÇA DO BOLSONARISMO

Assim que acabaram os cinco minutos a que o socialista tem direito no horário eleitoral, começaram os cinco minutos de Manato.

Logo de cara, apareceram imagens da manifestação em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) realizada no Sete de Setembro em Vitória e Vila Velha, da qual Manato participou.

"O Espírito Santo defende o alinhamento institucional e o alinhamento entre o governador do estado e o presidente da República para receber mais investimentos", afirmou o narrador.

Uma foto de Bolsonaro apareceu na tela. O presidente da República também disputa o segundo turno, contra o ex-presidente Lula (PT). Assim como Manato, no último domingo (2), ele foi o segundo mais votado no país.

Se dependesse apenas do Espírito Santo, no entanto, o presidente seria reeleito no primeiro turno, com 52% dos votos.

O candidato ao governo pelo PL apareceu na TV agradecendo aos votos recebidos (que equivalem a 38,48%). Citou Deus e orações.

O programa de Manato atacou as pequisas eleitorais, assim como o programa de Bolsonaro, que foi ao ar antes dos candidatos ao governo.

"Eles compravam as pesquisas e diziam que era primeiro turno", afirmou Manato.

Os institutos de pesquisa realmente não projetaram o resultado da eleição como ele foi. Em quase todo o país, os levantamentos provaram-se descalibrados. 

Não há, no entanto, nenhum indício de que adversários tenham "comprado as pesquisas". 

FAKE NEWS

"Agora vai vir um monte de fake news, monte de coisa contra Manato (...) agora eles vão pintar um outro Manato, aí vocês não vão acreditar porque não cola (...) Eu não respondo a processo nenhum", afirmou o ex-deputado federal.

Em seguida, o narrador da propaganda diz que a corrupção do governo estadual foi um dos fatores que levou 100 mil eleitores a votarem em branco no primeiro turno e ao recorde de abstenção.

Na hora em que o narrador citou a palavra "corrupção", apareceu na tela uma reportagem sobre a prisão do ex-secretário da Fazenda do governo Casagrande Rogélio Pegoretti, alvo da Operação Decanter, deflagrada pela própria Sefaz e pelo Ministério Público Estadual.

Propaganda de Manato exibe prisão de ex-secretário da Fazenda de Casagrande
Propaganda de Manato exibe prisão de ex-secretário da Fazenda de Casagrande. Crédito: Reprodução

O marqueteiro que atuou na campanha de Manato no primeiro turno, Fernando Carreiro, não está mais na equipe.

De acordo com o candidato, o programa exibido nesta sexta foi baseado em um roteiro que Carreiro deixou pronto. "O roteiro foi feito pelo marqueteiro do meu coração (Carreiro). A produtora é a mesma, e as minhas habilidades", ressaltou.

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