Dizem as más línguas que o ano começa somente após o carnaval. Este 2022 começou no ano passado, eleitoralmente falando. Há tempos partidos e atores políticos se movimentam no
Espírito Santo de olho nas urnas, com poucas definições. Mas o calendário eleitoral começa a impor decisões.
Nesta quinta-feira (3), por exemplo, começa a janela partidária, quando deputados federais e estaduais podem mudar de sigla sem o risco de perder os mandatos. Isso vai deixar claro o real tamanho dos partidos e o poder de barganha que vão ter nas negociações.
A expectativa da direção nacional do PL, que abriga o presidente Jair Bolsonaro, é que o partido se torne o maior do país, em número de deputados federais, superando o União Brasil. A ver.
Pode ser candidato ao Senado ou
ter participação em um cenário nacional. Para isso, no entanto, mais uma vez o calendário eleitoral bate à porta. O PSD flerta com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, atualmente filiado ao PSDB.
Leite, se tiver espaço no PSD para ser candidato à Presidência da República, tem que abandonar o ninho tucano e a gestão estadual até o início de abril. Seria um voo arriscado, até porque no partido de Kassab nem todos são favoráveis a uma candidatura própria e o apoio se divide entre
Lula (PT) e Bolsonaro.
Voltando às terras capixabas, outro marco no início de abril vai deixar algumas coisas mais evidentes. Integrantes do governo do estado que queiram disputar a eleição têm que deixar seus postos. Gilson Daniel (Podemos), pré-candidato a deputado federal, já é pedra cantada, está na Secretaria de Planejamento apenas temporariamente.
Outros não têm o destino tão claro, como o do titular da Secretaria de Controle e Transparência, Edmar Camata (sem partido). Uma possível candidatura do secretário de Ciência e Desenvolvimento Econômico, Tyago Hoffmann (PSB), por enquanto, é apenas especulação. Por enquanto.
Quando o assunto é a disputa pelo governo do estado, é preciso avançar um pouco mais no calendário. O evento-chave é se vai vingar a federação entre PT e PSB. O prazo para formar a aliança é até 31 de maio.
A pré-candidatura do governador
Renato Casagrande (PSB) à reeleição somente não é verbalizada por ele mesmo, o que se torna quase um detalhe, visto que todas as movimentações do PSB local e de aliados do socialista apontam para isso. Casagrande diz que só vai tratar da questão eleitoral nos próximos meses, mas esse é um prazo apenas formal.