A possível filiação de Audifax ao MDB e a quem isso pode atrapalhar
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A possível filiação de Audifax ao MDB e a quem isso pode atrapalhar
A coluna apurou que o ex-prefeito da Serra movimenta-se para ingressar na sigla que, no ES, é presidida por Rose de Freitas. Isso mexeria com o tabuleiro político local e já enfrenta resistências
Audifax pode se filiar ao MDB. A ideia, segundo pessoas próximas ao ex-prefeito, é que ele "liderasse um processo de mudança no partido".
A sigla, contudo, já tem presidente estadual, ainda que de forma provisória. É a ex-senadora Rose de Freitas, escolhida pela direção nacional da legenda em 2021 para pacificar o MDB no Espírito Santo, que vivia uma briga interna entre Lelo Coimbra e Marcelino Fraga.
Ainda não houve a eleição do diretório. Rose segue como presidente do órgão provisório ao menos até o dia 21 de junho.
As tratativas de Audifax para se filiar ao MDB, ainda segundo fontes da coluna, tem se dado com integrantes da direção nacional do partido, não com Rose.
O ex-prefeito preferiu não conceder entrevista à coluna.
Rose atendeu esta colunista no domingo (9). A ex-senadora não descartou a entrada de Audifax no MDB, mas frisou não ter tratado disso com ele recentemente. "Essa possibilidade foi aventada lá atrás", contou.
E, pelo tom da ex-senadora, nada indica que ela estaria disposta a ceder a liderança do partido ao ex-prefeito. "É um político reconhecido pela trajetória dele", elogiou a emedebista.
"Agora, o MDB tem por hábito que sempre que alguém quiser se filiar ao partido deve se reportar ao partido local. Baleia Rossi (presidente nacional do MDB) nunca me trouxe nenhuma conversa feita a nível nacional dizendo para procurar fulano ou beltrano", destacou Rose de Freitas.
"Se (qualquer pessoa que queira se filiar) não tratar com o partido localmente, acaba gerando muitos conflitos", complementou a ex-senadora.
Rose apoiou a reeleição do governador Renato Casagrande (PSB) em 2022 e segue como aliada do Palácio Anchieta.
Se o ex-prefeito da Serra assumisse o MDB no Espírito Santo, isso não seria bom negócio para o governador.
E daí vem a principal resistência à filiação de Audifax ao MDB. Os emissários de Casagrande no partido, incluindo Rose, não vão pavimentar o caminho para o ex-redista.
O atual prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), é aliado de Casagrande e vice-versa. Isso não é mero detalhe.
Um aliado do ex-prefeito diz que ele "tem um plano B".
O MDB na Serra, ao longo dos últimos 20 anos, ora pende para o lado do atual prefeito, Sérgio Vidigal (PDT), ora para Audifax.
Em 2020, ainda em meio à guerra interna, os emedebistas se dividiram na cidade. O partido decidiu apoiar a candidatura de Vandinho Leite (PSDB) a prefeito.
A avaliação era de que, quanto mais candidatos, melhor para Fábio Duarte (Rede), o nome apoiado pelo então prefeito. Isso forçaria um segundo turno contra Sérgio Vidigal. Mesmo sem Greik na jogada, Audifax conseguiu levar o pupilo à segunda etapa, mas o pedetista levou a melhor.
Durante a última gestão de Audifax na Serra (2017-2020), o emedebista Luiz Carlos Moreira, então vereador, foi o líder do prefeito na Câmara da Serra.
Em 2020, Rose diz que, pessoalmente, apoiou a eleição de Vidigal. Em 2022, o prefeito da Serra esteve ao lado da então senadora, que tentou a reeleição, mas perdeu para Magno Malta (PL).
ELEIÇÕES 2024
Audifax não precisa ter pressa para encontrar um partido se quiser disputar a Prefeitura da Serra em 2024. A legislação eleitoral estipula que o prazo de filiação para pretensos candidatos vai até o início de abril do ano que vem.
Em 2022, o ex-prefeito da Serra afirmou várias vezes, em campanha pelo governo estadual, que não pretendia concorrer ao comando do município mais uma vez.
Mas, como a coluna já analisou, não seria auspicioso que ele falasse disso naquela época. Seria como antever a derrota no pleito do ano passado.
Agora, Audifax não diz se vai ser candidato em 2024, mas emite sinais de que, hoje, esse é o cenário mais provável. Ele recebeu convites de alguns partidos, esteve até com Vandinho, presidente do PSDB estadual que pode disputar a prefeitura da Serra novamente.
SINAIS, FORTES SINAIS
Na última quinta-feira (6), por exemplo, o o ex-prefeito publicou um vídeo no Instagram com fortes críticas a Vidigal. Ele não mencionou o nome do pedetista, chamado apenas de "o atual prefeito", mas cutucou um dos principais problemas que afligem a gestão municipal, a área da saúde.
Filas de pacientes nas unidades de saúde viraram munição para adversários do pedetista. “A gente observa que a cidade da Serra não está bem. Perdemos o protagonismo em muitas coisas, e o atual prefeito assumiu o compromisso de melhorar a saúde da cidade da Serra", afirmou o ex-prefeito, no vídeo.
Ele decidiu trazer à baila, especificamente, o Hospital Materno Infantil. "Um grande investimento, iniciado e terminado em nosso governo, onde em 2020, você vê aí nas reportagens, nós entregamos essa obra toda equipada (...) E até o dia de hoje, já se passaram mais de dois anos, o atual prefeito não usa esse equipamento para atender a saúde da nossa população", criticou Audifax.
"Neste primeiro momento, o HMMI contará com 50 leitos para alojamento de gestantes e puérperas de risco habitual, Centro Obstétrico com três salas cirúrgicas e sete quartos PPP (de Pré-Parto, Parto e Pós-Parto), exames de imagem e laboratoriais e sala de vacina", diz o texto.
Uma parte da estrutura, entretanto, realmente está sem uso.
Em 3 de abril, dias antes de Audifax publicar o vídeo no Instagram, Vidigal concedeu uma entrevista ao Tempo Novo e afirmou que o espaço ocioso pode ser usado como pronto-socorro pediátrico, mas para isso, o governo do estado tem que participar.
“Abrir um Pronto-Socorro Infantil é de nosso total interesse, mas precisamos que o governo cumpra com o compromisso de custear 50%, assim como combinado em 2021", ressaltou o prefeito.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.