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Eleições 2024

O destino do ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos

Ele saiu da Rede e, por enquanto, está sem partido. A coluna investigou os movimentos do político veterano neste ano pré-eleitoral. Disputar a prefeitura é uma hipótese

Publicado em 25 de Março de 2023 às 02:10

Públicado em 

25 mar 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Audifax Barcelos anuncia apoio a Manato (PL) na corrida ao governo do ES
Audifax Barcelos no dia em que anunciou apoio a Manato (PL) no segundo turno das eleições pelo governo do Espírito Santo de 2022 Crédito: Letícia Gonçalves
O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos já passou por PT, PDT, PSB e Rede, todos partidos de centro-esquerda. No segundo turno das eleições do ano passado, após ficar pelo caminho na disputa pelo governo do Espírito Santo, deu uma guinada. Saiu da Rede para apoiar o ex-deputado federal Carlos Manato, do direitista PL, contra o governador Renato Casagrande (PSB).
Desde então, está sem partido. Durante a campanha de 2022, o ex-prefeito afirmou diversas vezes, em entrevistas, que não pretendia disputar a Prefeitura da Serra novamente. Ele já comandou a cidade por três mandatos.
Na época, não seria de bom tom dizer que estava pensando nas eleições de 2024. Afinal, isso seria admitir o risco de derrota na corrida pelo Palácio Anchieta.
Agora, Audifax não fala abertamente sobre o assunto. A coluna apurou, contudo, que ele tem recebido convites para se filiar a partidos e conversado a respeito do pleito do ano que vem. Mas sem bater o martelo.
O ex-prefeito já esteve, por exemplo, com o presidente estadual do PSDB, Vandinho Leite, e com o presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel. Com o Solidariedade, por meio da direção nacional do partido, também houve sondagens.
Ex-secretário municipal na gestão do ex-redista, o vereador da Serra Igor Elson (PL) é um possível candidato a prefeito. Logo, ao PL de Manato Audifax não deve se filiar.
Para o ex-prefeito, quanto mais candidato, ou pré-candidato, melhor. É mais gente para desgastar o atual chefe do Executivo, Sérgio Vidigal (PDT).
Como a coluna mostrou, a corrida eleitoral na cidade está acirrada, mesmo faltando mais de um ano para o pleito.
Vidigal afirmou em debate realizado por A Gazeta e pela Rádio CBN Vitória na reta final das eleições de 2020 que, se eleito, não iria tentar a reeleição. 
E reforçou isso após sair vitorioso das urnas. "Quero falar mais uma vez: quero encerrar um ciclo", frisou, no dia 29 de novembro de 2020.
Recentemente, Vidigal repetiu o intento, o que acelerou os movimentos dos opositores, como o deputado estadual Pablo Muribeca (Patriota).
E também acendeu as especulações sobre quem o prefeito apoiaria como sucessor. Um dos lembrados é o secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Philipe Lemos (PDT), que ingressou recentemente na gestão.
Isso não quer dizer que Vidigal não vai, mesmo, disputar a reeleição. Não seria a primeira vez que um mandatário diz que não vai concorrer e, depois, muda de ideia.
Há sempre a possibilidade de argumentar que decidiu "atender ao clamor da população e dos correligionários". 
A avaliação da gestão municipal também deve pesar nessa reflexão. Ter mais chances de ganhar, obviamente, é um incentivo para concorrer.
Por enquanto, Vidigal enfrenta críticas, diuturnamente exploradas pelos adversários, em relação às unidades municipais de saúde.
Audifax, por sua vez, não precisa se expor agora. Pela legislação eleitoral, tem até o início de abril do ano que vem para se filiar caso pretenda disputar a prefeitura.
É uma posição que o deixa mais confortável, sem virar "vidraça", na qual os adversários poderiam jogar pedras. Por outro lado, Audifax está desde janeiro de 2021 sem mandato. E Vidigal tem a máquina na mão.
No primeiro turno das eleições de 2022, Casagrande, apoiado pelo pedetista, foi o mais votado na Serra para governador, escolhido por 106.854 eleitores da cidade (43,32%).
Em segundo, veio Manato, com 79.202 votos (32,11%). Audifax amargou o terceiro lugar no próprio reduto. Obteve 50.458 votos, o equivalente a 20,46%.
O ex-redista já avaliou os motivos da própria derrota. Apontou como principal entrave o fato de não ter apoiado nem Lula (PT) nem Bolsonaro (PL) para a Presidência da República, num ano muito polarizado. 
A lógica da eleição municipal, normalmente, é outra. A ver.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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