Uma candidatura a um cargo público ou um investimento? A dúvida, que parece absurda à primeira vista, faz todo o sentido quando a gente olha a prestação de contas de campanha eleitoral dos candidatos a prefeito das quatro maiores cidades do
Espírito Santo.
Vejam o caso do Dr. Motta (DC), que quer suceder
Juninho em Cariacica: ele é o único financiador da sua própria candidatura. E que financiamento! O médico tirou do próprio bolso R$ 99.400,00.
Também vem de Cariacica, o mais pobre entre os quatro grandes municípios da Grande Vitória, o terceiro maior financiador da sua própria campanha eleitoral na região. Euclério Sampaio (DEM) botou a mão no bolso e bancou R$ 50 mil dos R$ 70 mil arrecadados até agora pela sua aliança. Pelo menos o dinheiro está sendo bem empregado: na mesma pesquisa Ibope, o deputado estadual lidera as intenções de voto com 13% das preferências.
Dos 14 candidatos a prefeito em Cariacica, cinco usaram seus próprios recursos para financiar sua campanha eleitoral. Alguns casos são curiosos: candidato do PCdoB, Doutor Heraldo Lemos não gastou nada, mas também nada recebeu. Isso mesmo, sua campanha, segundo declarou à Justiça Eleitoral, não captou nem um real sequer. Tanto miserê se reflete nas sua intenções de voto: o camarada médico tem apenas 4% das menções estimuladas no levantamento (8º lugar).
O segundo maior autofinanciador da campanha eleitoral, na Grande Vitória, é o candidato do Novo a prefeito de Vila Velha. Dalton Morais utilizou R$ 78.612,00 de recursos próprios para sua candidatura, que até agora arrecadou R$ 131.057,44. Na
pesquisa Ibope/Rede Gazeta de 15 de outubro, o servidor público federal aparece em nono lugar com apenas 1% das preferências dos entrevistados. Portanto, tem dinheiro de sobra, mas faltam intenções de voto.
Em Vila Velha também queimaram parte das suas poupanças Amarildo Lovato (PSL), que doou R$ 39 mil (4º lugar na pesquisa com 3%); o candidato à reeleição
Max Filho (PSDB), que bancou R$ 30 mil (1º lugar com 26%); e Dr. Hudson (Republicanos), que entrou com R$ 25.040,00 (7º lugar, 2% das intenções de voto).
Em Vitória, curiosamente, é um candidato de esquerda que foi mais generoso consigo mesmo. Gilbertinho Campos, do Psol, contribuiu com R$ 15 mil dos R$ 75.258,25 arrecadados até agora pelo seu partido, perfazendo quase 20% do total.
Halpher Luiggi (PL), por sua vez, poderia ter poupado seus próprios recursos. Ele doou R$ 12,1 mil (2,94%) para sua milionária campanha, que já arrecadou R$ 412.100,00. Um desperdício haja vista que o candidato apoiado pelo ex-senador Magno Malta e por pastores neopentecostais nem foi mencionado pelos entrevistados na
pesquisa Ibope/Rede Gazeta da última terça-feira (3).
Mazinho (PSD) também doou do seu patrimônio financeiro R$ 12 mil dos R$ 54.335,00 arrecadados pelo seu comitê eleitoral. Líderes da corrida na Capital, João Coser (PT), Gandini (Cidadania) e Pazolini (Republicanos) são “pão-duros” espertos: não gastaram nada do próprio bolso e estão muito bem na pesquisa. Quem está bancando suas respectivas campanhas são os partidos que utilizam o Fundo Eleitoral, ou seja, dinheiro do contribuinte.
Finalmente, na Serra, os nove candidatos não foram assim tão generosos com suas próprias candidaturas. Metade deu seu próprio dinheiro para a campanha. O maior autodoador, até agora, é o Delegado Federal Márcio (MDB), o único financiador da sua candidatura, que arrecadou R$ 10 mil. Na
pesquisa Ibope/Rede Gazeta de 19 de outubro, o servidor público federal aparece na sétima posição com apenas 1% das intenções de voto.
Vidigal, que está em primeiro, já doou R$ 8,2 mil para a sua própria campanha, que não pode reclamar da falta de recursos. O candidato do PDT já recebeu um total de R$ 549.604. Pra que então botar a mão no bolso, Vidigal? Afinal, o eleitor paga a conta. Mesmo que não tenha sido consultado para isso.