A moça que prega a “ucranização do Brasil” e tem promovido ataques, verbais e com fogos de artifício, ao
Supremo Tribunal Federal (STF), foi apresentada no cartaz da palestra como ex-feminista e fundadora do Femen no Brasil, movimento extremista de mulheres fundado na Ucrânia.
Mas, segundo a coluna apurou, o perfil dela não agradou a alguns setores, como o Movimento de Mulheres, que acionou a
Comissão Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de Vitória pedindo que Sara Geromini (seu nome verdadeiro) não fosse convidada para a palestra na paróquia em Vila Velha.
A questão foi levada à direção da Arquidiocese, na época sob o comando de d. Luiz Mancilha Vilela, e a vinda de Sara ao Espírito Santo acabou sendo cancelada. “Nós não conhecíamos o lado político dela. Fomos alertados e por isso o evento foi cancelado”, lembra Marcello Dias, da equipe de catequese da Paróquia São Francisco de Assis, que estava promovendo a palestra.
Dias disse que Sara Winter iria falar sobre
aborto e
feminismo, que, segundo ele, são assuntos fundamentais para a Igreja Católica. “Hoje continuamos a debater esses temas, mas com a presença de médicos católicos”, ressalva.
Sobre a política, Marcello complementa: “Apoio o catolicismo. Nenhum homem vai salvar a Terra, nenhum presidente”.
A militante bolsonarista, depois da sua atuação no Femen, aproximou-se dos segmentos mais conservadores da Igreja Católica. E fez muito sucesso, sendo recebida até como palestrante na
Canção Nova, comunidade ligada à
Renovação Carismática Católica (RCC) localizada em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo.
Em julho de 2017, Sara Winter foi uma das atrações da Jornada Juventude PHN, um dos movimentos internos mais ativos da Canção Nova e que reúne principalmente jovens. No evento, ela falou sobre fé e política.
O mergulho da extremista na espiritualidade católica conservadora foi até mais intensa. Em fevereiro de 2017, em Niterói (RJ), Sara postou nas redes sociais uma foto em que aparecia com véu na cabeça para participar da chamada Missa Tridentina, a celebração pré-Concílio Vaticano II na qual a liturgia é feita em Latim e o padre fica de costas para os fiéis.
Na postagem, ela não perdeu a oportunidade de fazer uma propaganda pessoal: “Quer levar uma palestra minha pra sua comunidade? Mande um e-mail para
[email protected] e para comprar meu livro que conta os bastidores do Feminismo no Brasil”.
Em entrevista ao portal católico Zenit, em junho de 2016, a moça contou como é sua rotina espiritual: “Eu pratico a minha fé. Tenho amigos seminaristas, pessoas que me escutam. Rezo o terço todo o dia, que é uma coisa que eu não abro mão”.
Tanta notoriedade levou Sara, nesse mesmo ano, a uma audiência pública do Senado, transmitida ao vivo pela TV da Casa, onde falou sobre aborto, um dos temas que mais aborda em suas palestras. Aliás, ela mesma revelou que já praticou aborto. Atualmente, ela é mãe de um menino.