A história a seguir teve um desfecho que surpreendeu policiais e médicos experientes. Aconteceu em
Linhares. Um preso, que foi levado ao hospital para ser submetido a um processo de retirada de algo suspeito em seu estômago, conseguiu escapar de uma punição severa. Graças ao que foi encontrado. Aos fatos.
Tudo começou em Vitória, na manhã desta quinta-feira (25), onde dois policiais rodoviários federais embarcaram em um ônibus rumo a Linhares. Na cidade do Norte do Estado, eles assumiriam o plantão na unidade da PRF na
BR 101. A bordo do coletivo, entretanto, os dois agentes notaram algo estranho.
Um dos passageiros, um homem de meia-idade, parecia estar sentindo algo desconfortável, meio incômodo. A inquietude desse passageiro chamou a atenção dos policiais rodoviários, que acionaram, por mensagem, o posto da
PRF em Linhares. O pedido: parem o ônibus quando o coletivo passar por lá e vejam o que está acontecendo com aquele homem em atitude suspeita.
E assim foi feito. O coletivo foi parado por policiais no posto da PRF na BR 101, em Linhares, e o passageiro desembarcado. O ônibus foi liberado para seguir viagem para o Sul da Bahia, os documentos do suspeito foram averiguados e eis a primeira surpresa dessa história: tratava-se de um interno do sistema prisional que, beneficiado por uma saída temporária, estava atrasado para se reapresentar ao presídio.
Ele deveria ter se reapresentado até a noite de quarta-feira (24), mas se atrasou e foi retornar para o presídio de Linhares com algumas horas de atraso, na manhã de quinta.
Os PRFs, então, comunicaram o fato à
Polícia Civil que os orientou a levar o detento diretamente para a penitenciária de Linhares. Ao chegar lá, o homem passou pelo sistema de raios-x e - esta é a segunda grande surpresa desse caso (mas ainda não a mais surpreendente) - foi constatado que havia algo estranho no estômago do interno.
Claro que os policiais desconfiaram que o homem deveria ter ingerido algum entorpecente - a cocaína era a maior suspeita dos agentes. Como é praxe nesses casos, foi ministrado laxante para o interno, que foi levado às pressas, para que não sujasse a viatura, para o Hospital-Geral de Linhares (HGL), onde seria expelido e coletado o material que estava em seu estômago.
A coluna apurou que houve demora no atendimento do então suspeito. E só à noite o material foi recolhido - e não foi encontrado exatamente aquilo que os policiais suspeitaram que estivesse no estômago do interno.
Para surpresa de todos, o material expelido era fumo. O velho fumo de rolo, que não é uma substância ilícita - embora, claro, a nicotina faça mal à saúde.
Em resumo: não houve registro de crime, mas apenas muita correria e perda de tempo por parte dos policiais rodoviários federais, que tiveram que aguardar horas para constatar que no estômago daquele passageiro de ônibus havia apenas fumo de rolo que ele iria usar quando estivesse de volta ao presídio para cumprir sua pena.
Tanto transtorno por causa de um vício.
Cigarro faz mal. Em qualquer situação.