O secretário estadual da Segurança Pública não curtiu. O coronel Alexandre Ramalho contestou as críticas feitas a ele pelo padre Kelder Brandão, durante uma homilia em uma igreja evangélica de Vitória, na noite desta quarta-feira (24),
e divulgada nesta madrugada (25) pela coluna.
Durante o culto ecumênico, o vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da
Arquidiocese de Vitória criticou o racismo, o
senador Magno Malta (PL-ES) e o secretário de Segurança por um episódio que teve grande repercussão nas redes sociais e na imprensa de todo o país.
“Aqui no Espírito Santo presenciamos, às vésperas da data da abolição da escravidão do Brasil, o secretário de
Segurança Pública do Estado, diante das câmeras, expondo e ofendendo um adolescente negro, já inerte e sob sua custódia, dirigindo-lhe vaticínios e palavras ofensivas e humilhantes, evidenciando o racismo estrutural nas instituições públicas capixabas”, afirmou o sacerdote na homilia.
Coronel Ramalho, entretanto, rebate as críticas de padre Kelder. “Foi uma fala descabida do padre, lamentável. Não tive intenção de ofender o jovem. Foi apenas um aconselhamento que dei a ele, algo que faço em toda a minha trajetória de policial, há 34 anos”, alega o secretário da Segurança.
Ex-comandante-geral da
Polícia Militar, Ramalho faz questão de enfatizar que reconhece o trabalho das igrejas, católica e evangélicas, em áreas de vulnerabilidade social e diz que já até subiu com o padre Kelder, no morro da Piedade, em Vitória, para participar de um momento de oração contra a violência.
“Reconheço e agradeço o trabalho das igrejas, mas me entristece o padre comparando minha atitude com racismo. Apenas enfatizei ao jovem sobre a realidade que o cerca e os perigos que ele corre no mundo do crime. Jovens de 14 a 29 anos representam 52% das vítimas de homicídio no Espírito Santo. Minha fala não foi agressiva, foi um aconselhamento, e fiz com a mãe do jovem ao lado”, diz Ramalho.