Sair
Assine
Entrar

Henrique Herkenhoff

Novo plano contra o crime organizado e uma entrevista sobre o nada

É difícil não usar linguagem capacitista sobre as propostas e, sinceramente, achei uma ofensa à inteligência alheia

Publicado em 17 de Maio de 2026 às 03:30

Públicado em 

17 mai 2026 às 03:30
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Aí a imprensa fica ouriçada com o anúncio, pelo governo federal, de mais um plano para a segurança pública e quer minha opinião. Não tem plano algum, somente um amontado de lugares comuns enfeitado com supostas verbas, mas lá vou eu dar entrevista.


É difícil não usar linguagem capacitista sobre as propostas e, sinceramente, achei uma ofensa à inteligência alheia. Eu, ao menos, me senti insultado. Por exemplo, não tem nada mais batido que a tese da asfixia econômica das facções criminosas, mas isso não passa de um sonho irrealizável. 


Começa que a despesa para recuperar dinheiro do crime costuma ultrapassar o valor encontrado. É como tentar ganhar uma guerra com bombas que custam mais caro do que as coisas que elas conseguem destruir no inimigo.

Veja Também 

Detento no presídio: quantidade de presos é alta no ES

Ninguém consegue ser especialista em segurança pública se não pintar o cabelo de vermelho

Fuzil e carregadores foram apreendidos no bairro Goiabeiras, em Vitória

Um fuzil queimado na cabeça

Polícia investiga atropelamento de cadela em Santa Maria de Jetibá

O mundo não está ficando mais violento, você é que está com mais aversão ao risco

Depois, temos que lembrar que somente o patrimônio acumulado pelos criminosos precisa ser lavado. O que eles gastam em farras, comprando drogas e armas ou pagam aos seus subordinados, advogados, contadores etc. dispensa esse cuidado. 


E, mais importante que tudo, as facções não inventaram a lavagem de dinheiro, apenas utilizaram os mecanismos da Faria Lima que sempre estiveram à disposição e foram criados para servir a políticos corruptos, empresários trambiqueiros etc. 

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante lançamento de pacote contra o crime organizado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante lançamento de pacote contra o crime organizado SEAUD/PR

Em outras palavras, não há modo de combater as facções criminosas por esse meio sem pegar também dinheiro de propina, de sonegação, de fraude ao sistema financeiro etc. Mesmo a inteligência artificial não entende essa história de “pega o traficante, mas não mexe com o ministro, não incomoda o Vorcaro.”


A ideia de apressar os leilões de bens apreendidos é óbvia e luta contra a demora do Judiciário. De qualquer maneira, é patrimônio que já não estava na mão das organizações criminosas e, portanto, não implicaria nenhum golpe adicional. Diminuiria a sobrecarga dos depósitos da polícia, entrariam uns trocados a mais e ponto final.


Como o plano é idiota, mas meio longo, fico por aqui. Semana que vem vai ter um pouco de elogio e muita crítica às propostas referentes ao sistema carcerário.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Pensando rápido e devagar em IA
Imagem de destaque
O dólar subiu na última semana. E vai subir de novo. Você está preparado?
Joan Didion em 1968
Enquanto escrevo, sou amiga ou faço pilates com Joan Didion

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados