O
senador Magno Malta (PL-ES), acusado de racismo por debochar do ato de violência racial sofrido pelo jogador brasileiro Vinícius Júnior no Campeonato Espanhol no último fim de semana, foi escolhido pela Câmara da Serra para receber a Comenda Zumbi dos Palmares, herói da pátria e do povo negro.
No dia 22 de dezembro do ano passado, o projeto de concessão da comenda ao então senador eleito foi aprovado por 11 votos favoráveis, cinco contra e quatro abstenções, mas até hoje a honraria não foi entregue.
Segundo o vereador Ânderson Muniz (Podemos), que liderou o movimento contrário à homenagem a Magno, o processo foi paralisado por pressão de parte dos parlamentares da
Câmara da Serra.
“É um escárnio à memória de Zumbi dos Palmares essa Casa conceder uma honraria como essa ao senador eleito Magno Malta”, discursou Muniz durante a votação da matéria, em dezembro, posicionando-se contrariamente à indicação.
Votaram a favor da concessão da comenda ao senador os seguintes vereadores: Adriano Galinhão (PSB), Dr. William Miranda (PL), Ericson Duarte (Rede), Gilmar Dadalto (PSDB), Igor Elson (PL), Jefinho do Balneário (PL), Pablo Muribeca (PL), Prof. Artur Costa (SD), Saulinho da Academia (Patriota), Teilton Valim (PP) e Wellington Alemão (PSC).
Votaram contra a concessão da honraria a Malta: Ânderson Muniz (Podemos), Elcimara Loureiro (PP), Fred (PSDB), Prof. Alex Bulhões (PMN) e Prof. Rurdiney (PSB).
Abstiveram-se: Cleber Serrinha (PDT), Paulinho do Churrasquinho (PDT), Rodrigo Caçulo (Republicanos) e Sérgio Peixoto (Pros). Não votaram: Rodrigo Caldeira (presidente, não vota), Raphaela Moraes (Rede) e Wilian da Elétrica (PDT).
Após ouvir o senador Magno Malta defender os “macacos”, no episódio de racismo contra Vini Jr., Ânderson Muniz se manifestou nas redes sociais: “Eu estava certo quando votei contra e me posicionei sobre a tragédia de conceder a Magno Malta a Comenda Zumbi dos Palmares, na Câmara da Serra. A fala do senador sobre o caso Vini Jr., além de ser uma ataque à imprensa livre, busca enfraquecer toda a luta contra o preconceito racial”.
Curiosamente, o senador bolsonarista, que está ameaçado de enfrentar um processo disciplinar no Conselho de Ética do Senado e uma queixa-crime no STF, se declarou da “raça preta” ao registrar sua candidatura no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no ano passado.