Mais novo padre da Arquidiocese de
Vitória, Ruan Coutinho da Cruz herdou um cálice de prata que pertencia ao falecido padre Rômulo Neves Balestrero. O utensílio litúrgico tinha sido utilizado na primeira missa celebrada por Balestrero, em dezembro de 1954.
O cálice de prata foi dado ao neossacerdote nos momentos finais da cerimônia da sua ordenação presbiteral, presidida pelo
arcebispo dom Dario Campos neste sábado (28), no Santuário Bom Pastor, em Campo Grande.
O cálice repassado para o padre Ruan estava, desde 2008, ano da morte de padre Rômulo, sob os cuidados do padre Kelder Brandão. Este, por sua vez, recebeu o objeto litúrgico das mãos da irmã agostiniana Rita Cola, testamentária de padre Rômulo. Quem entregou o cálice para o padre Ruan, neste sábado, também foi a irmã Rita.
“O cálice tem um valor financeiro grande, mas também um enorme valor afetivo, histórico e simbólico, pois foi usado pelo padre Rômulo em sua primeira missa”, lembrou Kelder.
Para o pároco de Itararé, a ordenação de Ruan é um momento muito importante para a Igreja de Vitória: ““Ele é um rapaz que foi criado sob os ensinamentos deixados por padre Gabriel Maire (já falecido) para a sua família. A mãe do Ruan frequentava a comunidade e cortava os cabelos do padre, quando se casou e concebeu o Ruan”, contou Kelder.
Ruan afirmou que o cálice será muito importante na sua vida sacerdotal: “Fiquei muito emocionado ao receber esta lembrança tão significativa. Pra mim representa que estou recebendo o mesmo chamado que padre Rômulo recebeu àquela época, o de se oferecer em sacrifício para a santificação do povo. Além disso, é uma honra ter comigo um utensílio que foi de alguém tão importante para a história da paróquia e da própria cidade de Cariacica”.
Padre Kelder destaca que Ruan cresceu na “escola do padre Rômulo”, passando toda sua infância, adolescência e juventude muito ligada a Balestrero através da sua ação pastoral na região de
Cariacica.
“Então é mais do que justo que esse cálice seja transferido. Na verdade o Ruan é parte do legado de padre Rômulo, a história, a vida do Ruan, a sua responsabilidade com a Igreja, com a humanidade, essa pessoa maravilhosa que ele é. Tão sensível às questões da Igreja, às questões da sociedade, enfim. Muito importante que ele dê continuidade ao trabalho que ele aprendeu com o padre Rômulo. Então esse cálice tem todos esses significados”, explicou Kelder.
Monsenhor Rômulo Neves Balestrero morreu em 2008, aos 79 anos de idade, depois de décadas à frente da Paróquia Bom Pastor, sendo idealizador de muitos projetos sociais, além de criar diversas pastorais. Ele era conhecido como homem solidário, simples e defensor dos pobres.