Pelo menos 380 lideranças das Igrejas Católica e Evangélicas assinaram o
pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), entregue nesta terça (26), na
Câmara dos Deputados, em Brasília. Na lista estão os padres Malvino Xavier da Silva, Melquisedec Carlos Fardin, Paulo César da Silva (Diocese de Colatina); Romário Hastenreiter (Diocese de São Mateus); Rogério Guimarães (Diocese de Cachoeiro); e o diácono Vitor Noronha, da Arquidiocese de Vitória.
O pedido de impeachment cita que, desde a chegada da
pandemia do novo coronavírus ao país, o presidente minimizou o problema. O texto prossegue dizendo que “diante da mais grave crise de saúde pública da história do país e do planeta, o presidente da República, irresponsavelmente, oscilou entre o negacionismo, o menosprezo e a sabotagem assumida das políticas de prevenção e atenção à saúde dos cidadãos brasileiros”.
O documento é assinado por lideranças ligadas a igrejas cristãs, incluindo católicas, anglicanas, luteranas, presbiterianas, batistas e metodistas, além de 17 movimentos cristãos.
Entre os signatários estão dom Naudal Alves Gomes, bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransfomadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“Temos a consciência de que nem todas as pessoas das nossas igrejas são favoráveis a esse ato que estamos fazendo, mas é importante destacar essa pluralidade e as contradições que existem no âmbito do Cristianismo. Nem todo Cristianismo é bolsonarista”, afirmou a pastora Romi Márcia Bencke, representante do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil.
Outros 61 pedidos de impeachment já foram apresentados à Câmara, dos quais 56 estão em análise, segundo dados da Secretaria-Geral da Câmara. Os demais cinco foram arquivados ou não aceitos por questões formais, sem que o mérito fosse analisado.