Publicado em 26 de janeiro de 2021 às 16:14
- Atualizado há 5 anos
Após ter dado diversas declarações questionando a eficácia, a segurança e a obrigatoriedade de imunizantes contra a Covid-19 e ter dito que o Ministério da Saúde não compraria a Coronavac, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (26) que sempre disse que uma vacina seria adquirida pelo governo federal após aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e se vangloriou da quantidade de pessoas já vacinadas no país. >
"Sempre disse que qualquer vacina, uma vez aprovada pela Anvisa, seria comprada pelo governo federal. No ano passado assinamos em dezembro uma Medida Provisória destinando um crédito de R$ 20 bilhões para as vacinações e elas agora são uma realidade para nós", declarou Bolsonaro em um evento do banco Credit Suisse. >
Na verdade, ele havia dito que não compraria a Coronavac, produzida pelo Butantan, hoje a principal vacina utilizada no Brasil, já que o governo federal demorou para viabilizar outras opções.>
Ele disse também que o Brasil é o sexto que "mais vacinou no mundo". "Já somos o sexto país que mais vacinou no mundo. Brevemente estaremos nos primeiros lugares, para dar mais conforto à população e segurança a todos, de modo que a nossa economia não deixe de funcionar".>
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Segundo o consórcio de imprensa que reúne informações sobre o número de vacinados Brasil, 685.201 pessoas já tomaram a primeira dose contra a Covid-19.>
Bolsonaro tem um histórico de manifestações contrárias à Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista. Usado como trunfo político do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o imunizante é o que está disponível em maior quantidade no Brasil.>
Em outubro do ano passado, por exemplo, Bolsonaro disse que o governo não iria adquirir a vacina do Butantan. "Tudo será esclarecido hoje. Tenha certeza, não compraremos vacina chinesa. Bom dia", escreveu em suas redes sociais.>
Em outra ocasião, ele voltou a garantir que a Coronavac não seria comprada e disse que ela não transmitia segurança por conta da sua origem: "Da China nós não comparemos, é decisão minha. Eu não acredito que ela [vacina] transmita segurança suficiente para a população pela sua origem", declarou o presidente.>
Bolsonaro também afirmou no passado que não pretende se imunizar porque já se contaminou e tem anticorpos. A argumentação do presidente contraria especialistas médicos. Eles destacam que ainda não há informação detalhada sobre a duração da proteção de uma pessoa que teve o vírus no passado, que a imunidade gerada pelas vacinas parece ser mais duradoura e que, portanto, a imunização desse público também é necessária.>
Bolsonaro ainda defendeu que os brasileiros deveriam assinar um termo de consentimento antes da vacinação, isentando a União de eventuais responsabilidades por efeitos colaterais.>
"Eu devo assinar amanhã a MP de R$ 20 bilhões para comprar vacina. Não obrigatório, vocês vão ter que assinar termo de responsabilidade para tomar. A Pfizer é bem clara no contrato, 'não nos responsabilizamos por efeitos colaterais'. Tem gente que quer tomar, então toma. A responsabilidade é tua. Se tiver algum problema aí, espero que não dê", disse em dezembro.>
A fala do mandatário foi criticada por cientistas como mais uma tentativa de minar a confiança nas vacinas contra a Covid-19 e como um estímulo para que as pessoas deixem de se proteger.>
Na videconferência do Credit Suisse, porém, Bolsonaro voltou a defender o chamado tratamento precoce contra a Covid. Ele não citou em sua fala a hidroxicloroquina e a azitromicina, medicamentos frequentemente mencionados por ele --as melhores evidências científicas apontam que, até o momento, não há tratamento precoce contra a doença.>
"O médico e o paciente têm que ser respeitados. E quem decide o tratamento precoce de uma pessoa infectada, já que não temos um medicamento ainda comprovado cientificamente, o médico pode na ponta da linha decidir em comum acordo com o paciente o que vai receitar", disse Bolsonaro.>
Ele sugeriu ainda que o fato de o Brasil ter caído na lista de países com mais mortos por coronavírus por milhão de habitantes tem relação com o chamado tratamento precoce.>
"Alguma coisa aconteceu. Isso no meu entender é a preocupação, o profissionalismo do médico brasileiro, que busca uma solução para esse problema. Porque, afinal de contas, muitas doenças não teríamos achado o remédio se não fosse o tratamento off label, fora da bula, feito lá atrás".>
Por último, Bolsonaro voltou a colocar em dúvida dados sobre mortes de coronavírus no país e disse que laudos são "forçados".>
"Até que pesem, muitos laudos [de morte por Covid] são forçados, dados como se Covid fossem. Na verdade, nós sabemos que não é. Mas vamos supor que todos os laudos fossem verdadeiros. O Brasil realmente cada vez mais morre menos gente por milhão de habitantes.">
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