O
padre Manoel David Neto afirmou em suas redes sociais que foi vítima de assédio moral na filial do Supermercados Casagrande de
Guarapari. Segundo o sacerdote, que é pároco da Paróquia São Pedro na Vila Rubim, em Vitória, nesta quarta-feira (20) à tarde ele foi seguido por um segurança de forma ostensiva na loja.
“Eu estava de bermuda, camiseta e boné e fui seguido por um segurança da loja em todos os passos que eu dava dentro do supermercado. Quando terminei de fazer as compras, comecei a rodar propositalmente a loja para que ele continuasse me seguindo e ele veio atrás da minha pessoa até eu chegar no caixa”, relata o padre de 60 anos de idade e quase 30 de sacerdócio.
A seguir, Manoel David, que atuou durante 15 anos como padre em Guarapari, conta que se identificou para o segurança: “Ali eu avisei a ele que iria pagar a conta, mostrei a minha a minha identidade sacerdotal e disse a ele que rodei a loja inteira porque percebi que ele estava me seguindo”.
Ainda no caixa, segundo o padre, após ele reagir à abordagem outro segurança, que estava na porta da loja, o reconheceu e disse que o sacerdote celebrou o casamento da sua mãe. Manoel David conta também que, em seguida, uma supervisora orientou o segurança que estaria seguindo o pároco para sair de perto do caixa.
“Preconceito? Racismo?”, indaga o religioso. “Na hora me lembrei do
episódio de racismo no Carrefour de Porto Alegre. Por isso, resolvi falar com o segurança no caixa, à vista de todo mundo. Se fosse dentro da loja, eu poderia ser acusado de algo como desacato”, explica.
Manoel David adianta que, por enquanto, não pretende denunciar o caso à Polícia ou ingressar com ação judicial, embora tenha sido orientado a fazer esses procedimentos. “Pretendo dar visibilidade ao fato para que outras pessoas saibam como enfrentar essa situação. Eu sou negro e estava de bermuda, boné e barba. Faz parte do racismo estrutural da sociedade brasileira”, lamenta o padre.
No Facebook do padre, o relato causou grande repercussão. Alguns internautas lamentaram e afirmaram que esse tipo de comportamento da segurança é rotina naquele supermercado, localizado no bairro Aeroporto. Outros disseram que consideram essa ação normal e não se sentem constrangidos.
A coluna ouviu Eduardo Casagrande, diretor de marketing da Rede Casagrande. Segundo ele, a denúncia será apurada. “Vamos avaliar as imagens e a conduta do colaborador. A empresa não aceita nenhum tipo de discriminação ou preconceito”, afirma.