O dia 23 de abril de 2022 vai ficar marcado para o resto da vida de Ketlyn Nascimento Machado Oliveira, de 23 anos. Além de ter sido o dia do seu casamento, a vendedora teve que atravessar a pé a
Romaria dos Homens, na altura de Cobilândia, para chegar a tempo de se casar. Chegar a tempo é força de expressão, porque a cerimônia começou com duas horas de atraso. Mas ela conseguiu. E conta como foi a maior aventura da sua vida.
“Foi estressante, fiquei nervosa, mas consegui me casar", suspira Ketlyn, que conversou com a coluna no intervalo da sua lua de mel que está sendo curtida na paradisíaca Porto de Galinhas, no litoral de
Pernambuco.
Ela conta que marcou o casamento com Filipe de Souza Oliveira, de 26 anos, em dezembro do ano passado, durante a festa de noivado. “Naquela época não se falava em
Festa de Penha presencial. Além disso, marquei a cerimônia para 23 de abril porque foi nessa data, há seis anos, que conheci o meu agora marido e também porque era meu período de 20 dias de férias.”
Pois é, mas o calendário conspirou contra o casal, especialmente contra a noiva, que não imaginava a dificuldade que teria para chegar na igreja e realizar o sonho do casamento com o homem que ama.
Ketlyn foi se arrumar para o grande momento num salão de beleza no bairro Ataíde, em
Vila Velha. Quando estava pronta, seu irmão foi buscá-la de carro. Era apenas o começo de momentos muito tensos. O irmão ficou retido na barreira policial formada para dar segurança à Romaria dos Homens. Apesar dos apelos, os guardas não o deixaram passar para buscar a irmã noiva.
Ele tinha acabado de levar um parente para a igreja em Alvorada, local do casamento de Ketlyn e Filipe. O irmão motorista foi orientado a dar a volta pela Rodovia Leste-Oeste, o que acabou atrasando sua missão de buscar a irmã. Na volta do salão, já atrasados, eles, acompanhados da mãe, tentaram passar pela barreira policial para acessar Alvorada.
“Levantei o vidro do carro e pedi ao policial: ‘por favor, moço, eu vou casar, preciso passar para chegar à igreja’”. Nada feito - os policiais não abriram exceção para a moça, que foi orientada, junto com o irmão motorista, a passar novamente pela Leste-Oeste. Neste meio tempo, a pressão aumentou - ela chegou a receber uma ligação do pai dela, que estava esperando a filha na igreja.
Desesperada com o atraso, quando ela chegou na margem da Avenida Lindenberg, na reta da igreja, deixou o carro, cruzou a via tomada de romeiros e seguiu a passos largos, por cerca de 500 metros, rumo à
Igreja Assembleia de Deus, onde foi realizada a cerimônia.
“Os romeiros nos aplaudiram e fizeram muito barulho quando passei correndo, com minha mãe segurando meu vestido, atravessando a avenida”, recorda a noiva. Neste meio tempo, o pastor que iria presidir a celebração enviou um fotógrafo, de carro, para pegar Ketlyn, mas não adiantou: “Eu estava tão atrasada e desesperada que não esperei ninguém; fui a pé mesmo”, conta a vendedora.
Depois da pequena maratona e do sufoco, a solidariedade. Um grupo de amigas a esperou do lado de fora da igreja. Todas se mobilizaram para ajeitar o vestido de noiva e retocar a maquiagem de Ketlyn, que naturalmente precisava desses ajustes estéticos depois de tanta correria.
A cerimônia de casamento, que estava marcada inicialmente para 18h30, aconteceu às 20h30. “Mas as pessoas entenderam o que passei e ninguém reclamou. O pastor até brincou com a situação”, respira aliviada a vendedora, que já foi
católica, participou de muitas romarias e hoje é integrante da Igreja Batista.