Há pouco mais de um ano, a pandemia do coronavírus tomava conta do Espírito Santo. Mas mesmo com as medidas de restrição vigentes, o mês de março de 2020, na área de segurança pública, acabou sendo o mais violento depois da fatídica
greve da PM (fevereiro de 2017), com 140 ocorrências.
A pandemia continua, mas em abril, mês que acaba de ser encerrado, o número de mortes foi ligeiramente menor que o contabilizado no mesmo mês do ano anterior: 93 ocorrências agora ante 94 em abril de 2020. Se não é motivo para comemorações, pelo menos as ocorrências de crimes fatais contra a vida registram uma tendência de queda neste ano.
Em números gerais, comparados com 2020, o Estado vê uma diminuição de 13,47% dos homicídios dolosos nos quatro primeiros meses de 2021 (de 438 para 379), o que é um avanço. Contudo, se comparado com o mesmo período de 2019, o aumento registrado é de 5,28% no número de assassinatos.
Abril foi conturbado para a cúpula da segurança pública do Estado, que viu crescer a ousadia dos traficantes e os constantes
conflitos entre facções rivais em Andorinhas, em Vitória. Mas há outras preocupações para quem cuida dessa área tão sensível.
Três regiões do Espírito Santo apresentaram aumento nos crimes em abril. A Noroeste passou de 44 assassinatos para 52 (crescimento de 18,19%), enquanto a Serrana foi de 15 para 25 (acréscimo de 66,7%), e, por sua vez, a Norte viu o cenário avançar de 72 para 79 (acúmulo de 9,7%).
O desafio da gestão da segurança é conseguir indicadores de assassinatos menores neste período que se aproxima do inverno. Em maio do ano passado, por exemplo, o Estado acumulou 75 homicídios dolosos, o terceiro menor registro de 2020.
A Grande Vitória tem acumulado uma queda no registro de assassinatos no Estado. Em 2020, houve 266 crimes, enquanto neste ano foram 183 (queda de 31,2%). No entanto, quem foge desta curva é Vitória.
A Capital, agora comandada por um prefeito que é delegado de polícia (
Lorenzo Pazolini), registrou 27 assassinatos no primeiro quadrimestre, ante 21 casos de 2020. Um aumento de 29% frente ao ano passado. Já entre os municípios que contabilizaram regressões, destacam-se Vila Velha, com retração de 49,28% (de 69 para 35) e Serra, com 42,31% (de 45 para 78).
Neste ano, o domingo lidera a tendência de execuções no Espírito Santo. Foram 75 casos no primeiro dia da semana, seguido pela terça-feira, com 66, e sábado, com 66. Já o horário com maior ocorrência de assassinatos é o das 22 horas, com 31 casos.
Estão sem assassinatos os seguintes municípios: Águia Branca, Alegre, Alto Rio Novo, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibiraçu, Iconha, Itaguaçu, Itarana, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Muniz Freire, Muqui, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Venda Nova do Imigrante e Vila Pavão.