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Leonel Ximenes

Homicídios em março no ES: tem notícia boa, tem notícia má

Índice de assassinatos caiu em relação ao mesmo período do ano passado, mas aumentou se comparado ao mês anterior, fevereiro de 2021

Públicado em 

01 abr 2021 às 02:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Data: 30/08/2019 - ES - Cariacica - Policiais da Forçaa Nacional atuando no bairro Padre Gabriel, em Cariacica
Policial da Força Nacional reforça a segurança no bairro Padre Gabriel, em Cariacica, município que teve queda de homicídios em março Crédito: Ricardo Medeiros
O Espírito Santo terminou o mês de março com 100 homicídios acumulados. A notícia boa: o índice (queda de 30%) é menor do que o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 140 casos no terceiro mês; mas março teve 21,9% mais assassinatos do que fevereiro de 2021, que registrou 82 crimes contra a vida.
Foi o segundo mês consecutivo em que o Estado teve redução no índice de homicídios. Em fevereiro deste ano, houve queda de quase 25% ante o mesmo período de 2020.  
Março, em especial, traz alguns pesadelos. O mês foi pano de fundo, no ano passado, para a troca das cadeiras na Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp)  e outras mudanças profundas no eixo de proteção. Logo no início de abril do ano passado, o delegado da Polícia Federal Roberto Sá, que veio do Rio de Janeiro, passou o posto para o ex-comandante da PM capixaba coronel Alexandre Ramalho, que recebeu a tarefa de reduzir os indicadores de criminalidade.
O desafio do comando da segurança pública do Estado ao longo de 2021 é obter números semelhantes ou melhores aos conquistados em 2019, quando o Estado finalizou o ano com 987 mortes – 2020, com 1.108 assassinatos, é visto como um ano para esquecer.
A tarefa de repetir os números de 2019, contudo, não deve ser fácil. Os casos violentos não deixaram de acontecer mesmo com a pandemia de Covid-19 em sua fase mais aguda, agravados ainda pela crise social e pelo desemprego no Brasil, que já chega ao patamar de 14 milhões sem acesso ao trabalho. Para completar, a formação de novos policiais ainda está no início ou nem começou.
Nos últimos seis meses, o Estado tem registrado média de 93 assassinatos ao mês, o que se aproxima da marca de abril do ano passado, quando foram contabilizadas 94 mortes.
Vamos comparar: o primeiro trimestre de 2021 contabiliza 289 mortes, contra 344 de 2020 e 285, de 2019. O segredo de 2019 esteve nas sucessivas quedas de crimes letais entre os meses daquele ano, que chegou a ter em junho 59 assassinatos.
Grande Vitória tem redução de 35,78% dos homicídios, na comparação entre os anos de 2020 e de 2021 (de 204 para 131 mortes violentas). Mas a Capital, dos quatro maiores municípios, é a única com alta nos assassinatos neste ano.

VITÓRIA COM ALTA DE HOMICÍDIOS

Em 2021, Vitória apresenta um acréscimo de 26,67% das mortes (de 15 casos para 19), enquanto Cariacica teve retração de 26,67% (de 60 para 44); Serra apresenta queda de 50% (de 60 para 30); e Vila Velha conta com um declínio de 57,41% (de 54 para 23).

HORÁRIO DAS MORTES

Como de costume, os horários com mais assassinatos seguem no período noturno. A faixa das 22 horas lidera, com 28, seguida pela das 21h, com 23, e das 20h, com 18. Já os dias com mais assassinatos são domingo (64), terça-feira (54) e sábado (43).

CIDADES SEM HOMICÍDIOS EM 2021

Estão sem homicídios os seguintes municípios: Águia Branca, Alegre, Alto Rio Novo, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibiraçu, Iconha, Itaguaçu, Itarana, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Marechal Floriano, Marilândia, Muniz Freire, Muqui, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Santa Leopoldina, Santa Teresa e Vila Pavão.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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