O Espírito Santo terminou o mês de março com 100 homicídios acumulados. A notícia boa: o índice (queda de 30%) é menor do que o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 140 casos no terceiro mês; mas março teve 21,9% mais assassinatos do que fevereiro de 2021, que registrou 82 crimes contra a vida.
Março, em especial, traz alguns pesadelos. O mês foi pano de fundo, no ano passado, para a troca das cadeiras na Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e outras mudanças profundas no eixo de proteção. Logo no início de abril do ano passado, o delegado da Polícia Federal Roberto Sá, que veio do Rio de Janeiro, passou o posto para o ex-comandante da PM capixaba coronel Alexandre Ramalho, que recebeu a tarefa de reduzir os indicadores de criminalidade.
O desafio do comando da segurança pública do Estado ao longo de 2021 é obter números semelhantes ou melhores aos conquistados em 2019, quando o Estado finalizou o ano com 987 mortes – 2020, com 1.108 assassinatos, é visto como um ano para esquecer.
A tarefa de repetir os números de 2019, contudo, não deve ser fácil. Os casos violentos não deixaram de acontecer mesmo com a
pandemia de Covid-19 em sua fase mais aguda, agravados ainda pela crise social e pelo desemprego no Brasil, que já chega ao patamar de 14 milhões sem acesso ao trabalho. Para completar, a formação de novos policiais ainda está no início ou nem começou.
Nos últimos seis meses, o Estado tem registrado média de 93 assassinatos ao mês, o que se aproxima da marca de abril do ano passado, quando foram contabilizadas 94 mortes.
Vamos comparar: o primeiro trimestre de 2021 contabiliza 289 mortes, contra 344 de 2020 e 285, de 2019. O segredo de 2019 esteve nas sucessivas quedas de crimes letais entre os meses daquele ano, que chegou a ter em junho 59 assassinatos.
A
Grande Vitória tem redução de 35,78% dos homicídios, na comparação entre os anos de 2020 e de 2021 (de 204 para 131 mortes violentas). Mas a Capital, dos quatro maiores municípios, é a única com alta nos assassinatos neste ano.
Em 2021, Vitória apresenta um acréscimo de 26,67% das mortes (de 15 casos para 19), enquanto Cariacica teve retração de 26,67% (de 60 para 44); Serra apresenta queda de 50% (de 60 para 30); e
Vila Velha conta com um declínio de 57,41% (de 54 para 23).
Como de costume, os horários com mais assassinatos seguem no período noturno. A faixa das 22 horas lidera, com 28, seguida pela das 21h, com 23, e das 20h, com 18. Já os dias com mais assassinatos são domingo (64), terça-feira (54) e sábado (43).
Estão sem homicídios os seguintes municípios: Águia Branca, Alegre, Alto Rio Novo, Apiacá, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Castelo, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibiraçu, Iconha, Itaguaçu, Itarana, Jerônimo Monteiro, Laranja da Terra, Marechal Floriano, Marilândia, Muniz Freire, Muqui, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Santa Leopoldina, Santa Teresa e Vila Pavão.