Mesmo cego e com um perfil distante de uma integrante típico de uma família de agricultores, o empreendedor rural Stéfano Tineli Zanetti tem estudado muito e, com uma boa dose de senso empresarial e muita disposição, vem produzindo uma cachaça orgânica que já começa a fazer sucesso no Noroeste do
Estado.
Idealizador da Rio Doce, Stéfano estuda há meses o segmento e lançou o primeiro lote da cachaça há 60 dias, com a mesma matéria-prima que é utilizada na fabricação da renomada Princesa Isabel, de
Linhares, cachaça premiada internacionalmente.
Disposição, no caso dele, não é uma mera figura de retórica. Stéfano se esforça muito e consegue ler as apostilas técnicas usando a lupa do Google, ferramenta que permite aumentar o tamanho das letras.
O produtor rural perdeu a visão, quase que completamente, aos 20 anos de idade, por causa de uma mutação mitocondrial (doença hereditária) e hoje, aos 30, cursa Ciências Agrícolas no Ifes de Itapina, distrito de
Colatina, banhado pelo
Rio Doce, nome que batizou sua aguardente.
Para chegar até o alambique da Princesa Isabel, o empreendedor precisou de mais disposição e força de vontade. Stéfano bateu de porta em porta em alambiques de São Roque do Canaã e Colatina e não se conformou com os nãos que ouviu nessa caminhada.
Persistente, conseguiu uma parceria com os produtores Adão e Pedro Célia, em Linhares. Lá ele compra a cana, armazena a cachaça nos barris e finaliza o produto que sai pronto para comercialização. Ou seja, a Rio Doce tem, poderíamos dizer, um ótimo berço.
“Até agora produzimos o primeiro lote com 350 garrafas, 115 de cada sabor: a prata rústica, a ouro cerejeira e a ouro jequitibá-rosa. Já distribuímos nos principais estabelecimentos gastronômicos de Colatina”, contou, animado.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Paulo Foletto, Stéfano se destaca pelo empreendedorismo, por conhecer toda a cadeia de produção da cachaça e também pelo esforço em fabricar um produto com alto valor agregado. “Nosso papel enquanto Estado é incentivar negócios como o de Stéfano capazes de gerar mais emprego e renda”, disse o secretário.
A ideia de produzir a Rio Doce nasceu depois que Stéfano descobriu que o Espírito Santo é uma das três principais referências em produção nacional de cachaça. Além disso, o empreendedor rural se sentiu motivado por sempre gostar de trabalhar no meio rural, apesar de nunca ter morado na roça.
Para desenvolver o rótulo, o sabor e criar os nomes das cachaças, até a conhecimentos de marketing ele recorreu. “Criei nomes regionais que despertam curiosidade, cultura e lazer. E além disso desenvolvemos um produto com menos ardência e menos teor alcoólico, de 39%. Assim fica um paladar mais suave para o jovem consumir”, explicou o produtor.
Agora, Stéfano está em busca de novos investidores e parceiros para a produção do segundo lote da Cachaça Rio Doce. “Gosto da cultura da cachaça porque ela faz parte da identidade do
Brasil e é referência internacional. Nosso objetivo é fazer a marca se expandir”, planeja. Um brinde (com cachaça) a quem tem luz própria, como Stéfano!