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Leonel Ximenes

ES tem a mesma árvore da qual teria sido feita a coroa de espinhos de Cristo

Sementes da planta, que é objeto de estudos de especialistas do mundo inteiro, foram trazidas por um padre de Jerusalém há 23 anos

Públicado em 

05 mai 2023 às 02:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

A árvore está plantada no espaço onde funciona o Centro de Evangelização São João Batista, pertencente à paróquia de Jaciguá
A árvore está plantada no espaço onde funciona o Centro de Evangelização São João Batista, pertencente à paróquia de Jaciguá Crédito: Diocese de Cachoeiro
Uma árvore, uma simples árvore frondosa que é objeto de estudos de especialistas no mundo inteiro, é a conexão mais visível entre Jerusalém, capital de Israel, e Jaciguá, distrito de Vargem Alta distante mais de 10 mil quilômetros da cidade sagrada para as três grandes religiões monoteístas da humanidade: cristianismo, judaísmo e islamismo.
Pois é na pacata Jaciguá, lugarejo encravado nas montanhas capixabas, que cresce, há 23 anos, uma muda da mesma planta utilizada na confecção da coroa de espinhos imposta a Cristo durante sua Paixão e Morte, conforme relato da Bíblia Sagrada.
A planta foi trazida no ano de 2000 pelo padre Dione Goulart, pároco da Paróquia São João Batista na época. Atualmente ele é sacerdote da Arquidiocese de Juiz de Fora (MG).

UMA DAS RELÍQUIAS MAIS VENERADAS DO MUNDO

Segundo a Diocese de Cachoeiro, a coroa de espinhos cravada na cabeça de Cristo durante sua Paixão é, junto com um pedaço da Santa Cruz e um dos cravos com os quais Ele foi crucificado, uma das relíquias mais veneradas no mundo.
A coroação de espinhos, por sinal, é um acontecimento descrito no Evangelho de São Mateus que se medita no terceiro mistério doloroso do rosário.
"Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: ‘Salve, rei dos judeus!’" (Mt. 27,32).
Imagem que seria semelhante à coroa de espinhos cravada na cabeça de Cristo
Imagem que seria semelhante à coroa de espinhos cravada na cabeça de Cristo Crédito: Pixabay
A diocese explica que segundo estudos médicos feitos no Santo Sudário de Turim (Itália), que segundo a tradição envolveu o corpo de Jesus, e sobre o qual ficaram marcadas as manchas de sangue do rosto, foram identificadas gotas de sangue na nuca, que são o resultado de "lesões no couro cabeludo".
As lesões na cabeça foram causadas pela coroa de espinhos, pois, segundo os estudos médicos, as gotas de sangue encontradas se distribuem como uma auréola, e são causadas por objetos pontiagudos, cravados e esfregados na cabeça, na forma de uma coroa de espinhos.
Este instrumento de tortura teria sido feito de uma árvore ou planta que cresce perto da Terra Santa, o lugar onde Jesus Cristo viveu sua Paixão, Morte e Ressurreição, e que se caracteriza por espinhos muito afiados em seus ramos.
A planta Ziziphus Spina-Christi é conhecida como “Espinhos de Cristo”
A planta Ziziphus Spina-Christi é conhecida como “Espinhos de Cristo” Crédito: Diocese de Cachoeiro
O médico americano Frederick Zugibe, um especialista forense conhecido por seus estudos sobre o Santo Sudário de Turim, escreveu em seu livro “The Crucifixion of Jesus, a Forensic Inquiry” um capítulo explicando a possível origem da planta a partir da qual a coroa foi feita.

ORIENTE MÉDIO, A ORIGEM DA PLANTA

Zugibe disse que embora o material usado para fazer a coroa de espinhos ainda esteja em debate, estudos de especialistas indicam que seria uma planta que cresceu no Oriente Médio e pertence à família Rhamnaceae.
Ele conta que especialistas renomados em botânica da flora da Terra Santa apontam que a árvore é chamada Ziziphus Spina-Christi, é conhecida como Rhamnus Spina-Christi ou Rhamnusnabeca, e vem da Síria e do Líbano, como a utilizada na crucificação.
Em português, a planta Ziziphus Spina-Christi é conhecida como “Espinhos de Cristo” e está no espaço onde atualmente funciona o Centro de Evangelização São João Batista, pertencente à paróquia de Jaciguá.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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