O primeiro campo público de lúpulo experimental do país deu seus resultados iniciais um trimestre após o seu primeiro plantio. E, logo de cara, trouxe ótimas surpresas, como o índice de alfa ácido, que é o composto formador do amargor tradicional nas cervejas, com um teor elevado,levando-se em conta que essa é a primeira florada.
“O nosso lúpulo, baby hop [lúpulo de primeira florada, em inglês] testou positivo para atividade antioxidante e nos deu a expectativa de futuramente testar o lúpulo em formulações cosméticas”, comemora o professor e pesquisador do Ifes-Campus Vila Velha, Juliano Souza Ribeiro.
A equipe da Secretaria de Agricultura (Semag) da
Prefeitura de Viana e grupo de pesquisa do Ifes Vila Velha, colheram duas variedades plantadas no parque experimental: a “zeus” e a “comet”. Ao todo são oito tipos cultivados.
Plantadas entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, as mudas são estudadas para se definir quais espécies se adaptam melhor ao clima local, bem como sua produção em quilo por planta e a qualidade de seus óleos essenciais. A finalidade do cultivo experimental de mudas de lúpulo é a implantação do Polo de
Cervejas Artesanais de Viana.
Segundo o gerente da Semag responsável pelo estudo, Francisco Sizino, “a flor vai se adaptando com o tempo e para uma amostra inicial o valor foi maior do que o esperado”. Foi constatado que as flores da variedade Zeus concentravam um teor de 8% m/m (relação de massa do teor em comparação à massa da flor) de alfas ácidos, mais do que o esperado para essa fase da pesquisa, o que trouxe uma grande expectativa para os pesquisadores, uma vez que o valor ideal do composto é de 15% a 18% nos lúpulos.
A segunda avaliação feita no cultivo foi que a iluminação artificial utilizada nas plantas trouxe bons resultados, como o avanço no processo da primeira florada, tanto que a colheita desta primeira florada foi realizada nas mudas de lúpulo que estavam recebendo a iluminação. Os pesquisadores aguardam resultados da influência nas atividades químicas das flores que estão recebendo luz artificial em comparação às mudas que recebem apenas a luz natural.
Foi analisado também o potencial antioxidante nas espécies colhidas. Esse fator evita o envelhecimento e, para produção de cervejas, ajuda no aumento de sua validade. Essa descoberta também ajuda em processos cosméticos, que podem ser um novo caminho para utilização do lúpulo.