O Posto Stillo, em Cidade Continental, na Serra, passou a cobrar dos não clientes pelo uso do calibrador de pneus. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sindipostos-ES), no Estado existem poucos estabelecimentos na Grande Vitória e em municípios do interior que já adotaram esta medida.
A direção do posto argumenta que a cobrança foi adotada em função do custo de manutenção do equipamento e de alguns abusos cometidos por não clientes. “O nosso compressor deu defeito há alguns dias e gastamos R$ 3,5 mil para consertá-lo. Um compressor novo custa mais de R$ 8 mil”, relata Dannunzio Chiappetta, sócio do Posto Stillo.
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O empresário conta que o calibrador precisa passar por vistorias permanentes, que são pagas, e diversos pequenos reparos como na ponteira de abastecimento. Isso, segundo ele, se soma ao mau uso do equipamento, como o de um ambulante que vende bolas nas ruas e encheu mais de 50 unidades de uma só vez e do motorista que parou para calibrar o pneu do seu trator, para o qual aquele calibrador não é adequado.
“Em todos esses casos, apesar da nossa abordagem e da explicação, somos ignorados. Sem falar em clientes que declaradamente abastecem na concorrência porque é mais barato, mas não tem calibrador, e vem aqui usar o nosso. Por isso tomamos essa decisão. O cliente continua tendo acesso ao compressor gratuitamente, mas quem não é cliente agora vai pagar por este serviço que estamos oferecendo”, explica.
O pagamento é feito por Pix, através de um QR Code. O valor é R$ 1 e o usuário tem até três minutos para calibrar. Este tempo, argumenta Chiappetta, é um padrão adotado em outros Estados e ele afirma que a prática mostra que é suficiente para a calibragem dos quatro pneus.
O QUE DIZ O SINDIPOSTOS
Segundo o Sindicato dos Postos, a cobrança pela calibragem de pneus no posto de combustível da Serra representa bem a realidade do revendedor. “A área do posto é confundida com espaço público e alguns serviços como se fossem obrigação social do empresário. Porém, é importante reforçar que o posto é uma empresa como outra de qualquer segmento. A diferença é sua importância para a sociedade e o fato de não ter paredes e portas, podendo ser acessado por qualquer pessoa”, sustenta o Sindipostos.
O caso do calibrador, pondera o sindicato patronal, é emblemático porque, para a entidade, a sociedade já considera uma obrigação do posto. “Não é. O calibrador, inclusive, é um equipamento do posto de combustível e um serviço prestado que representa custo na operação, desde o consumo de energia elétrica até a manutenção e taxas de vistoria dos órgãos fiscalizadores. Mas a decisão de cobrar é individual de cada revendedor, conforme sua estratégia comercial, pondera o sindicato.
A cobrança pela calibragem de pneus de não clientes já é prática em postos de combustíveis em outras cidades como Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ).
Na capital fluminense, por sinal, existe até uma lei municipal, de setembro de 2024, proibindo a cobrança de clientes que estão abastecendo no posto, como também não pode haver cobrança de bicicletas, triciclos e outros veículos que não necessitem abastecimento de combustível. O objetivo é garantir que a calibragem de pneus não resulte em custos adicionais para os motoristas que abastecem seus veículos nos postos.
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