Municípios capixabas podem estar desperdiçando até metade da água tratada produzida para abastecer a população. O alerta foi feito nesta terça-feira (26) pela Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) durante reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.
O debate discutiu o Projeto de Lei 174/2026, que cria a nova Política Estadual de Saneamento Básico para substituir a legislação atual, em vigor desde 2008, adequando o Espírito Santo ao Novo Marco Legal do Saneamento.
Representando a Sedurb, o gerente de Políticas Públicas da Subsecretaria de Saneamento, Carlos Roberto de Lima, conhecido como Bebeto, revelou que há cidades do Estado com perdas de até 50% da água produzida.
“Está ocorrendo um desperdício enorme. São sistemas antigos e obsoletos, com parques de hidrômetros ultrapassados, sem manutenção adequada e sem controle eficiente das redes”, alertou.
Segundo ele, o problema está ligado a redes envelhecidas, vazamentos invisíveis, falta de equipamentos modernos e baixa capacidade operacional de alguns prestadores de serviço municipais.
Bebeto explicou que reduzir perdas pode ser mais eficiente do que ampliar a produção de água.
Só a redução de perdas já faria o sistema se reequilibrar e aumentaria a capacidade de distribuição sem precisar produzir mais água
Carlos Alberto de Lima Gerente de Políticas Públicas da Subsecretaria de Saneamento da Sedurb
O representante da Sedurb também destacou que muitos municípios não possuem sequer sistemas adequados para identificar rapidamente onde ocorrem os vazamentos.
Em alguns casos, as perdas variam drasticamente de um ano para outro, o que levanta dúvidas sobre a precisão das informações prestadas ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, o deputado Fabrício Gandini (Podemos) classificou o cenário como preocupante e defendeu prioridade no combate ao desperdício: “Não adianta apenas ampliar sistemas se milhões de litros de água tratada continuam sendo perdidos todos os dias. Precisamos modernizar as redes e ajudar os municípios a recuperar sua capacidade de distribuição”.
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