O nome da via pública sugere aristocracia, mas a realidade é bem menos nobre e acaba prejudicando o povo, que - mais uma vez - paga a conta. Moradores da Rua Barão de Monjardim, em Bela Aurora, Cariacica, conviviam há pelo menos oito meses com uma água que brotava do chão e corria livremente pela via de paralelepípedos.
Quem passava por lá relatava ser água de nascente, talvez uma forma singela de a natureza mostrar sua exuberância. Antes fosse. O que começou como um pequeno vazamento, registrado em setembro do ano passado pelo Google Maps, transformou-se em um buraco incômodo na via.
Com o escoamento constante, os meios-fios foram cobertos por lodo, criando uma espécie de irrigação involuntária para o mato que cresce em meio ao cenário urbano.
Independentemente de ser água tratada ou de nascente (tudo indica que não, mas a Cesan depende de uma análise técnica mais profunda para confirmar esta última hipótese), a situação gera danos à saúde pública, risco de acidentes e um evidente desperdício de recursos.
OS NÚMEROS DO DESPERDÍCIO
O "Estudo de Perdas de Água 2025" (Sinisa, 2023) aponta que o Espírito Santo registra 38,7% de perdas na distribuição. Contudo, em casos assim, um aspecto importante costuma passar despercebido: muitas vezes, a Cesan simplesmente não é acionada.
A comunidade se incomoda, mas ninguém faz contato com a empresa para relatar o problema e formalizar a solicitação de serviços, esperando que o vizinho tome a iniciativa. Sem a notificação, a concessionária não adivinha o problema.
Exercer a cidadania também é acionar os canais competentes. Se há um vazamento na sua rua, não espere pelo outro. A Cesan oferece atendimento gratuito 24 horas pelo telefone 115, além da Agência Virtual no site (www.cesan.com.br) e do aplicativo para smartphone, onde é possível enviar a localização exata do problema.
Em tempo: a coluna acionou a assessoria da Cesan e o vazamento foi corrigido. Em tempos difíceis, a solução não pode ir pelo ralo.