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Vilmara Fernandes

Colatina assume liderança da letalidade no ES, aponta Atlas da Violência

O relatório considerou cidades com mais de cem mil habitantes e mortes violentas ocorridas em 2024

Publicado em 27 de Maio de 2026 às 03:30

Públicado em 

27 mai 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Facção colatina
Arte - Sabrina Cardoso com Microsoft Designer

O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26), aponta o crescimento da violência em cidades do interior do Espírito Santo com mais de 100 mil habitantes. O relatório destaca que Colatina assumiu a liderança da letalidade no Estado, registrando uma taxa de 35,0 homicídios estimados por 100 mil habitantes em 2024.


Essa marca faz com que o município fique à frente de centros urbanos da Grande Vitória, como Cariacica (33,8) e a capital, Vitória (30,0). Outras cidades do interior repetem o cenário de alerta, como Linhares, que registrou uma taxa de 33,0, e São Mateus, com 28,5. Ambas superam o índice de Vila Velha (23,1).


Outro ponto destacado é que o índice de todos esses municípios situa-se acima da média nacional estimada, que foi de 23,4 em 2024.


Os indicadores capixabas, segundo o estudo, também contrastam com a realidade dos estados vizinhos da Região Sudeste. Enquanto o Espírito Santo fechou 2024 com uma taxa estimada de 28,3 homicídios por 100 mil habitantes, São Paulo ficou com 12,8, Minas Gerais com 18,5 e  Rio de Janeiro com 24,4.


“Homicídio estimado”


As taxas de homicídios apresentadas no Atlas da Violência 2026 incluem uma parcela das mortes violentas por causa indeterminada (MVCI). Para isso, foi utilizado o conceito de homicídio estimado, que é a soma dos homicídios registrados oficialmente com os “homicídios ocultos”.


Os "ocultos" são mortes que foram registradas originalmente no sistema de saúde como MVCI, mas que, após uma análise estatística (via machine learning), foram identificadas como tendo características de homicídio.


Em 2024, o Espírito Santo registrou um salto no número de homicídios ocultos, passando de  7 casos em 2023 para 96 registros. Na análise da última década (2014-2024), essa estatística cresceu 134,1%, saltando de 41 para 96 casos, superando o ritmo de aumento nacional, que foi de 93,2% no mesmo período.


Outros dados do ES


Homicídios registrados por 100 mil habitantes:

  • Queda de 38,8% entre 2014 e 2024: de 1.609 casos registrados para 1.064

  • Queda de 8,8% entre 2023 e 2024: de 1.161 casos registrados para 1.064


Homicídios contra jovens de 15 a 29 anos

  • Queda de 48,9% entre 2014 e 2024: de 958 casos registrados para 490

  • Queda de 16,7% entre 2023 e 2024: de 588 casos registrados para 490


Homicídios contra as mulheres

  • Queda de 21,4%% entre 2014 e 2024: de 140 casos registrados para 110

  • Aumento de 11,1% entre 2023 e 2024: de 99 casos registrados para 110


Homicídio contra pessoas negras

  • Queda de 34,8% entre 2014 e 2024: de 1.316 casos registrados para 858

  • Queda de 4,8% entre 2023 e 2024: de 901 casos registrados para 858.


Homicídio contra idosos

  • Queda de 2% entre 2014 e 2024: de 51 casos registrados para 50

  • Queda de 3.8% entre 2023 e 2024: de 52 casos registrados para 50


Homicídios de arma de fogo

  • Queda de 42,8% entre 2014 e 2024: de 1.293 casos registrados para 739

  • Queda de 11,7% entre 2023 e 2024: de 837 casos registrados para 739


O estudo


O Atlas da Violência 2026 foi divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em uma edição histórica dos 10 anos da publicação, com diagnóstico e análise da letalidade no país.


O relatório dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS). Foram considerados ainda as populações estimadas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) do IBGE.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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