Eles até poderiam dizer que foram do Nordeste para o Sudeste, mas o que ficou mesmo marcado para os ciclistas Wellinton Zava e Wanderson Coimbra é a satisfação de poder dizer que percorreram o
Espírito Santo de Norte a Sul, da divisa da Bahia com a do Rio de Janeiro. Foi uma jornada de 461 quilômetros que começou no último sábado (22), às 18h, e terminou 28 horas depois em terras fluminenses.
Moradores de Jaguaré, no
Norte do Estado, o motorista Wellinton, 37 anos, e seu amigo Wanderson, de 26, desempregado, pedalaram um total de 19 horas e 28 minutos para ir de uma extremidade à outra do ES. A largada, na divisa com a Bahia, foi tranquila, mas apenas três quilômetros adiante viria o primeiro imprevisto.
“Notei que havia perdido o meu celular com uma quantia de dinheiro dentro. Voltamos e não conseguimos encontrar nada. Naquele momento, meu psicológico já estava abalado no início do desafio, mas o guarda do posto fiscal da divisa nos reanimou a continuar”, conta Wellinton, que confessa que pensou em desistir da saga logo diante do primeiro obstáculo. Primeiro, mas não único, como é comum nestes desafios.
Na altura de Fundão, com a viagem já bem adiantada, a natureza cobrou seu preço pela “ousadia” dos dois ciclistas, que sentiram muito frio de madrugada, aumentando o desgaste físico dos dois parceiros de viagem. Além disso, Wellinton, particularmente, parecia que não estava com muita sorte: o pneu da sua bike furou e a lanterna queimou.
Problemas no Norte, dificuldades ainda maiores no Sul. Na subida da
BR 101, em Alfredo Chaves, eles enfrentaram o trecho mais difícil do percurso: “A gente chegou a pensar em desistir, mas tínhamos motivações para concluir o desafio”, afirmou Wanderson.
Superado o obstáculo, com muita dificuldade, os ciclistas de
Jaguaré conseguiram chegar até o final, na divisa do ES com o RJ, impulsionados por motivos diferentes, mas decisivos para o sucesso da empreitada.
"Vi a imagem de amigos de Sooretama que também cumpriram o desafio, achei bacana e quis também”, brincou o “invejoso” Wellinton.
Para Wanderson, entretanto, a motivação era mais profunda e tem tudo a ver com sua história de vida e as dores físicas e emocionais que experimentou.
“Fui atleta de futebol profissional e tive que interromper a carreira após três cirurgias para retirada de um tumor no joelho. Cheguei a perder os movimentos da perna e voltei a realizar atividades físicas pedalando. Em cada momento de dor, me vinha a imagem da minha mãe, pois eu vi ela morrer com um câncer, quando eu tinha apenas 8 anos de idade, aí eu lembrava que cada dor que estava sentindo não era nada perto das que já me machucaram um dia”, relata.
Para conseguir alcançar a marca, a dupla teve o apoio do empresário Lucas Reis, de uma equipe de carro que acompanhou a viagem toda e de muitos ciclistas e amigos de Jaguaré que compraram rifas para arrecadar fundos para custear a travessia do Estado.
"Estamos muito felizes por termos concluído o objetivo, pelo apoio recebido e agora vamos nos planejar para um próximo desafio” adianta Wellinton, que no entanto ainda não definiu qual será o percurso. Quem sabe atravessar o
Brasil de Norte a Sul? Fica a sugestão.