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É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

Redução da velocidade é saída para garantir segurança para o ciclista no ES

Com ciclovias ou não, a velocidade em nossas vias não deveria passar de 30km/h. Mas para isso é preciso coragem do gestor e enfrentamento técnico, por meio da instalação de controle de velocidade e fiscalização

Publicado em 18/05/2021 às 02h00
Ciclovia da Avenida Leitão  da Silva, em Vitória com algumas cercas quebradas
Ciclovia da avenida Leitão da Silva com algumas cercas quebradas. Crédito: Ricardo Medeiros

Qual o lugar do ciclista nas ruas da Grande Vitoria? Este lugar não existe! A cada dia os próprios ciclistas, com suas bikes e seus corpos, lançam-se na conquista de um espaço que possa ser respeitado. Qual o custo desta tarefa diária? Infelizmente é muito caro o preço pago por esta conquista nas vias publicas. Enquanto se busca, no dia a dia, um lugar seguro para garantir o direito de ir e vir na cidade, vidas são ceifadas.

Dados de janeiro a junho de 2020, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), apontam que três ciclistas foram vítimas do trânsito, por dia, no Espírito Santo. Número este que cresce a cada ano. De janeiro a março deste ano, foram registrados 165 óbitos no Espírito Santo, segundo o Observatório da Segurança Pública da Secretaria de Segurança Pública. O que representa uma taxa de aumento de 4,4% em relação a 2020, que teve 158 vidas perdidas no Estado.

Enquanto o ciclista não tiver seu espaço demarcado de forma clara e impositiva, por meio de ciclovias, faixas e fiscalização efetiva, não há como garantir o seu direito a mobilidade urbana. Por mais que este seja um imperativo legal, previsto no Código de Transito Brasileiro – CTB, a lei precisa pegar e para isso tem que haver ação forte do Estado e das prefeituras. A saída é a municipalização para que o poder local possa agir de forma preventiva, com educação e, se precisar, punir por meio de uma ação fiscal.

Com a pandemia, a necessidade de sair de casa, andar ao ar livre, seja para ir ao trabalho ou para lazer, fez com que o uso de bicicleta aumentasse muito. O que requer mais atenção e ação do poder público no sentido de garantir esta mobilidade crescente dos ciclistas. Vários países estão já criaram estas condições para o uso da bicicleta nas vias tradicionalmente usadas por carros.

Em nosso caso, devido à precariedade das vias e ao reduzido espaço para os ciclistas, especialistas e cicloativistas, como Fernando Helio Braga Pio Pereira, um dos criadores da União dos Ciclistas do Brasil (UCB) e Ciclista Urbano Capixaba (CUC), concordam que uma das medidas eficazes é a redução na velocidade nas vias públicas. Com ciclovias ou não, a velocidade em nossas vias não pode passar de 30km/h. Mas para isso é preciso coragem do gestor e enfrentamento técnico, por meio de instalação de controle de velocidade e fiscalização.

E nossas campanhas ainda estão longe de tocar na realidade do que acontece no trânsito. Além das peças publicitárias serem caras, com custo elevado para os cofres públicos, Fernando Braga critica a campanha do Detran-ES deste ano: "A bicicleta só aparece pedindo respeito ao pedestre. Não se faz uma imagem do carro pedindo respeito à bicicleta. Eles não fazem campanha de respeito ao ciclista e à bicicleta como veículo, como diz os artigos 201 e 220. Estas campanhas induzem o motorista ao erro de que o ciclista é um transtorno nas vias”.

Isso é tão evidente que os órgãos de fiscalização não conseguem aplicar multas em relação ao que diz o CTB, sobre a distância de um metro e meio (1,5 mt) que o carro deve manter do ciclista. Fator de risco de acidentes, que deveria estar entre as principais preocupações dos gestores em mobilidade urbana das nossas cidades. O drama do ciclista em nossas vias e toda violência que permeia o trânsito é tema deste maio amarelo, mês necessário para mostrar que acima de tudo está a vida, e ela deve ser o ponto de partida dos investimentos em políticas públicas.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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