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Leonel Ximenes

Conselho de Enfermagem constata irregularidades no Hospital Infantil de Vitória

Inspeção, realizada no dia 18 de maio, flagrou, entre outros problemas, tetos mofados, falta de termômetro para aferir temperatura e banheiro inadequado para os funcionários

Publicado em 03 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

03 jun 2020 às 05:00
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

A fiscalização constatou teto mofado no local onde se guarda a roupa dos funcionários, no banheiro e no corredor, entre outras áreas
A fiscalização constatou teto mofado no local onde se guarda a roupa dos funcionários, no banheiro e no corredor, entre outras áreas Crédito: Coren-ES
Uma inspeção realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-ES), no dia 18 de maio, constatou várias irregularidades no Hospital Infantil de Vitória, em Bento Ferreira. Foram avaliados os setores de oncologia, enfermarias, pronto-socorro, UTI pediátrica e UTI semi-intensiva. A coluna teve acesso ao relatório, que mostra uma situação de risco para pacientes e funcionários, principalmente nesta época de pandemia do novo coronavírus.
No pronto-socorro, a fiscalização constatou, entre outras irregularidades, que pacientes com suspeita de síndrome gripal passam pela classificação de risco no mesmo consultório junto com as demais crianças que procuram atendimento para outras doenças. Ainda neste local, dispensadores de álcool em gel e o porta papel-toalha estavam quebrados e ausentes nos corredores e locais de espera dos pacientes.
Segundo o relatório técnico de inspeção, no pronto-socorro foi constatado déficit de técnicos de enfermagem para atendimento de pacientes da sala vermelha e laranja. De acordo com a escala da unidade, são dois técnicos de enfermagem para cada dois leitos, no entanto, pontua o documento do Coren-ES, não há previsão para cobertura de profissionais para almoço, folgas e atestados.
Na área do refeitório, havia garrafas de café guardadas diretamente no chão, junto com uma mala e extintor de incêndio. Também não foi encontrado local para higienizar as mãos antes das refeições.
No setor de oncologia e na enfermaria C, a fiscalização do Coren-ES flagrou várias irregularidades. Entre elas, banheiro para higiene pessoal com condições inadequadas de uso, repouso da enfermagem num espaço menor que um metro entre as camas e ausência de materiais para higiene das mãos. Um capote de proteção estava pendurado atrás de uma porta.
A visita na enfermaria B constatou déficit de funcionários e as mesmas condições inadequadas de repouso presentes na enfermaria C e na oncologia.
Segundo o Conselho de Enfermagem,  capotes descartáveis são reaproveitados em pacientes em isolamento no plantão diurno
Segundo o Conselho de Enfermagem, capotes descartáveis são reaproveitados em pacientes em isolamento no plantão diurno Crédito: Coren-ES
Na unidade semi-intensiva e na UTI pediátrica, o Conselho relatou que a escala de trabalho dos profissionais de enfermagem é inadequada; que há déficit de funcionários; e que copos descartáveis estavam sendo reaproveitados em pacientes em isolamento no plantão diurno. Foi observada até a presença de mofo no teto na sala de guarda de bolsa dos funcionários, no banheiro e no corredor, com risco maior de infecção hospitalar, entre outras irregularidades.
E em tempos de pandemia, a fiscalização constatou também que faltava até termômetro para aferir a temperatura das crianças.

O QUE DIZ A SESA

A direção do Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória informa que em 20 de maio foi realizada uma reunião, entre a unidade, a Subsecretaria de Assistência em Saúde e o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo, onde, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), todos os apontamentos da categoria foram discutidos e ocorreram avanços em relação ao estabelecimento de um diálogo entre as partes.
"A direção esclarece que alguns apontamentos eram fundamentados, e outros não. Por isso, todos os esclarecimentos foram feitos e um Plano de Ação elaborado e pactuado. Na ocasião, identificou-se (sic) deficiências por parte de algumas gerências internas e, diante do contexto, medidas administrativas estão sendo adotadas. É importante frisar que não há falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) no hospital", diz nota da Sesa.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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