A festa é para ajudar um cemitério, mas não serão bem-vindas manifestações de tristeza na Noite de Massas que a comunidade de Araguaia vai promover, no próximo dia 25, para arrecadar recursos para o Cemitério Católico São Miguel Arcanjo.
O cemitério do distrito de Araguaia, em
Marechal Floriano, é bem antigo e tem túmulos até do século 19. Um dos mais famosos é o do italiano Pedro Tononi, o cozinheiro do papa Leão XIII (leia abaixo nesta reportagem). A gestão do espaço é comunitária, ou seja, não pertence nem à prefeitura nem a um proprietário particular.
Sua manutenção é feita mediante contribuição financeira regular dos próprios moradores interessados. As despesas aumentaram recentemente porque a diretoria do cemitério conseguiu a anexação de um terreno de mil metros quadrados, ao lado do antigo espaço.
Essa nova área não terá túmulos. O terreno será todo gramado e os locais de sepultamento serão identificados com uma placa lápide no chão, como é comum nos cemitérios mais modernos.
Entre as obras que estão sendo realizadas, estão a construção do muro da nova área do cemitério; a reestruturação do muro do antigo; limpeza e lavagem dos túmulos; reforma geral da capela, com novo telhado; construção de banheiros e de uma bancada de granito; iluminação geral e construção do sistema de escoamento de água
Além da farta comida italiana, estão na programação a exibição do grupo de danças italianas Piccinini dei Monti e da dupla sertaneja Luciano Daré & Lara Marinato e o sorteio de uma smart TV de 32 polegadas. O ingresso da festa, com direito ao jantar e ao sorteio do televisor, custa R$ 50, com bebida à parte.
A noite festiva começará às 19h, na igrejinha de Santo Antônio, a três quilômetros do centro de Araguaia.
Segundo o vereador e presidente da Câmara de Marechal Floriano, Cezar Tadeu Ronchi Júnior, morador do bucólico distrito, o "chef do papa" teve grande importância para o desenvolvimento da região e criou raízes na pequena vila capixaba de origem italiana.
"Bem jovem, quando ainda morava na Itália, ele trabalhou na cozinha do Vaticano e foi um dos cozinheiros do papa Leão XIII. Depois ele veio para o Brasil em 1895, quando tinha 19 anos, para a construção da Estrada de Ferro Sul Espírito Santo, e se instalou na comunidade de São Martinho. Desde muito novo ele já era um trabalhador e desempenhava muitos ofícios", narra Cezinha, como é conhecido.
Como se vê, preservar cemitérios é, acima de tudo, reverenciar os falecidos e preservar a história. E isso o povo festeiro de Araguaia sabe fazer muito bem.