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Leonel Ximenes

Não há mais vagas: cemitério entra em colapso em cidade do ES

Pandemia de Covid agravou o problema; prefeitura tenta há pelo menos um ano encontrar um novo terreno para sepultar os mortos

Publicado em 08 de Dezembro de 2022 às 12:21

Públicado em 

08 dez 2022 às 12:21
Leonel Ximenes

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Leonel Ximenes

O cemitério de Barra de São Francisco recebe, em média, 20 sepultamentos por mês
O cemitério de Barra de São Francisco recebe, em média, 20 sepultamentos por mês Crédito: Weber Andrade
Só faltou a placa: não há mais vagas. O cemitério de Barra de São Francisco não tem mais capacidade de receber sepultamentos. Nenhuma medida que tenha sido tentada pela administração municipal nos últimos meses, para atenuar o problema, surtiu efeito e, agora, o quadro chegou ao seu limite. Com média em torno de 20 sepultamentos por mês, o local não tem mais vagas para os próximos 30 dias.
A situação já vinha se arrastando há alguns anos e no final da gestão passada, do prefeito Alencar Marim, a prefeitura chegou a adquirir um pequeno terreno junto ao cemitério, mas essa área também já foi toda ocupada, segundo funcionários do cemitério. A pandemia de Covid, que provocou 263 mortes (0,6% da população) da cidade, contribuiu para agravar o quadro nos anos de 2020 e 2021.
Depois de registrar até 70 mortes em um único mês, durante a pandemia, Barra de São Francisco voltou a um quadro de normalidade na ocorrência de óbitos e, segundo a secretária de Serviços Públicos, Cleuzenira Bueno Galhardo, entre fevereiro, quando a gestão passou para a sua pasta, e novembro, morreram 190 pessoas na cidade, uma média de 19 por mês. Junho foi o pico de mortes, com 28 sepultamentos no cemitério francisquense, e agosto foi o mês de menor ocorrência, com 13 sepultamentos.
Se dezembro repetir os 20 óbitos de novembro, o município não terá onde enterrar seus mortos, segundo informações do coveiro que monitora as estatísticas para a Secretaria de Serviços Públicos. Durante a pandemia o caos somente não foi completo porque parte dos mortos era de distritos, que têm seus pequenos cemitérios locais.
O cemitério não tem mais vagas para os próximos 30 dias
O cemitério não tem mais vagas para os próximos 30 dias Crédito: Weber Andrade
O prefeito Enivaldo dos Anjos (sem partido), que há pelo menos um ano tenta encontrar um terreno para construir um novo cemitério, avisou: “Estamos tentando comprar um terreno para construir um cemitério novo, em comum acordo com o proprietário. Se nos próximos 30 dias não conseguirmos essa aquisição consensual, vamos escolher um terreno em volta da cidade e desapropriar para fins de interesse público”.
Segundo o prefeito, de acordo com a lei, as famílias que não requerem a construção de túmulo, o que tem custo, depois de três anos é feita a exumação dos corpos enterrados e os restos mortais são colocados num ossuário vertical para abrir espaço no cemitério. Mas até com a redução desse prazo, que era de cinco anos, está havendo problema:
"Não temos mais como segurar a situação. Se não construirmos urgentemente um novo cemitério, quem morrer na cidade vai ter que ser enterrado nos distritos"
Enivaldo dos Anjos - Prefeito de Barra de São Francisco
“Devido às mortes na pandemia, houve um acúmulo de sepultamentos recentes, sem cumprir o prazo legal para exumação”, afirma Enivaldo.
Conforme os registros existentes no cemitério da cidade, que já é “novo”, foram sepultadas até hoje no local 9.817 pessoas. O coveiro Felipe Antonio Vieira, que trabalha no cemitério há pouco mais de quatro anos, disse que, para tentar minimizar o problema, a equipe está abrindo covas entre sepulturas, em pequenos espaços onde nem sequer é possível construir um túmulo. “Mesmo assim, não temos espaço nem para 20 novos sepultamentos”, lamenta Filipe.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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