Só faltou a placa: não há mais vagas. O cemitério de
Barra de São Francisco não tem mais capacidade de receber sepultamentos. Nenhuma medida que tenha sido tentada pela administração municipal nos últimos meses, para atenuar o problema, surtiu efeito e, agora, o quadro chegou ao seu limite. Com média em torno de 20 sepultamentos por mês, o local não tem mais vagas para os próximos 30 dias.
A situação já vinha se arrastando há alguns anos e no final da gestão passada, do prefeito Alencar Marim, a prefeitura chegou a adquirir um pequeno terreno junto ao cemitério, mas essa área também já foi toda ocupada, segundo funcionários do cemitério. A
pandemia de Covid, que provocou 263 mortes (0,6% da população) da cidade, contribuiu para agravar o quadro nos anos de 2020 e 2021.
Depois de registrar até 70 mortes em um único mês, durante a pandemia, Barra de São Francisco voltou a um quadro de normalidade na ocorrência de óbitos e, segundo a secretária de Serviços Públicos, Cleuzenira Bueno Galhardo, entre fevereiro, quando a gestão passou para a sua pasta, e novembro, morreram 190 pessoas na cidade, uma média de 19 por mês. Junho foi o pico de mortes, com 28 sepultamentos no cemitério francisquense, e agosto foi o mês de menor ocorrência, com 13 sepultamentos.
Se dezembro repetir os 20 óbitos de novembro, o município não terá onde enterrar seus mortos, segundo informações do coveiro que monitora as estatísticas para a Secretaria de Serviços Públicos. Durante a pandemia o caos somente não foi completo porque parte dos mortos era de distritos, que têm seus pequenos cemitérios locais.
O prefeito
Enivaldo dos Anjos (sem partido), que há pelo menos um ano tenta encontrar um terreno para construir um novo cemitério, avisou: “Estamos tentando comprar um terreno para construir um cemitério novo, em comum acordo com o proprietário. Se nos próximos 30 dias não conseguirmos essa aquisição consensual, vamos escolher um terreno em volta da cidade e desapropriar para fins de interesse público”.
Segundo o prefeito, de acordo com a lei, as famílias que não requerem a construção de túmulo, o que tem custo, depois de três anos é feita a exumação dos corpos enterrados e os restos mortais são colocados num ossuário vertical para abrir espaço no cemitério. Mas até com a redução desse prazo, que era de cinco anos, está havendo problema:
“Devido às mortes na pandemia, houve um acúmulo de sepultamentos recentes, sem cumprir o prazo legal para exumação”, afirma Enivaldo.
Conforme os registros existentes no cemitério da cidade, que já é “novo”, foram sepultadas até hoje no local 9.817 pessoas. O coveiro Felipe Antonio Vieira, que trabalha no cemitério há pouco mais de quatro anos, disse que, para tentar minimizar o problema, a equipe está abrindo covas entre sepulturas, em pequenos espaços onde nem sequer é possível construir um túmulo. “Mesmo assim, não temos espaço nem para 20 novos sepultamentos”, lamenta Filipe.