Logo quando soube
do ataque russo à Ucrânia, nesta quinta-feira (24), o aposentado capixaba Idivarcy Martins, de 77 anos, lembrou-se de correr para a gaveta do seu escritório, em busca de uma preciosidade que estava guardada desde 2019: dois rolos de papel higiênico estampados com a imagem do presidente da Rússia e uma mensagem agressiva, em ucraniano: “Putin, vai se f…”
Ex-militante do PCB e dirigente histórico comunista, Idivarcy, que nasceu em
Pancas, viveu no Rio de Janeiro e morou cinco anos exilado em Moscou, conta que comprou as duas “lembranças” há três anos, quando foi à Ucrânia participar do casamento do seu filho Igor com uma ucraniana. Hoje o casal mora em São Paulo e tem uma filha de 1 ano de idade.
“Esses papéis higiênicos são vendidos aos milhares nos camelôs em Kiev (capital da Ucrânia). Mostra claramente que os ucranianos odeiam os russos”, destaca Martins, que lembra que o país atacado por Vladimir Putin sofre com o vizinho desde os tempos da antiga União Soviética, da qual a Ucrânia fazia parte.
“Lá até hoje existe um sentimento anti-soviético que vem da época de Stálin (líder comunista da antiga União Soviética), que massacrou os ucranianos. Essa memória histórica foi passada de geração em geração e chegou até os jovens ucranianos da atualidade”, explica Martins.
O ex-dirigente comunista e ex-assessor parlamentar, que atualmente mora em Santa Lúcia, Vitória, não tem palavras elogiosas para o chamado novo czar russo: “Putin é um horror, ele quer controlar a Ucrânia, país que é grande produtor de alimentos na
Europa. Essa guerra não tem nada a ver, é um sofrimento, um absurdo”, critica com veemência.
Apesar da grande experiência acumulada e da militância política intensa, Idivarcy Martins, que atualmente está filiado ao
PSDB, admite que não acreditava que Moscou fosse afrontar a comunidade internacional com o ato de guerra: “Realmente eu achava que a Rússia não iria atacar a Ucrânia até um dia antes de se consumar a agressão”.
Voltando ao papel higiênico, o velho comunista revela que guardou os dois rolos para presentear dois amigos jornalistas do Espírito Santo, o que ainda não conseguiu. Aos futuros presenteados com a relíquia, ele manda um recado atestando a boa procedência do produto: “Estão limpinhos, não arranham e tem uma qualidade muito razoável”.
O problema é se Putin acordar mal-humorado (ou enfezado?) e não gostar da “homenagem”.