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Leonel Ximenes

Café conilon do ES agora é marca reconhecida no Brasil e no mundo

Produto capixaba, que recebeu Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), será mais conhecido e valorizado

Públicado em 

13 mai 2021 às 11:42
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Café conilon do ES, reconhecido pela sua qualidade e sabor
Café conilon do ES, reconhecido pela sua qualidade e sabor Crédito: Egídio Malanquini
Que tal uma xícara de café para comemorar esta excelente notícia? O café conilon do Espírito Santo recebeu a Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este reconhecimento oficial autoriza a utilização do nome geográfico para a variedade produzida em território capixaba, passando a ser identificado como Café Conilon Espírito Santo, um produto único.
A certificação oficial, que levou três anos para ser aprovada, levou em consideração a reputação, a notoriedade e a fama do território capixaba para o conilon.
"Esta é a primeira IG de café do Brasil que abrange um Estado inteiro. O café conilon fez com que o Espírito Santo fosse reconhecido mundialmente pela sua produção e hoje, com essa IG, nós valorizamos as mais de 78 mil famílias que sobrevivem desse cultivo, protegendo também o nosso território e os consumidores desse produto, que poderão identificar a sua autenticidade a partir de um selo”, destaca o diretor técnico de Sebrae/ES, Luiz Toniato.
O trabalho que culminou no registro do produto no INPI foi estruturado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES), em conjunto Seag, Incaper, Embrapa Café, Ifes,OCB-ES, Ministério da Agricultura, Cetcaf e Sicoob, entre outros parceiros.
Segundo o Sebrae-ES, todos os 78 municípios capixabas estão contemplados por esta IG. Os produtores que desejarem ter o seu café conilon reconhecido devem passar por um processo para garantir a autenticidade do produto e terem direito a usar o selo “Café Conilon Espírito Santo”.
Com a formalização do registro de IG na modalidade Indicação de Procedência, o café conilon do Espírito Santo, que já tinha espaço no mercado internacional, agora passa a ser reconhecido oficialmente possibilitando novos ganhos e segurança nas negociações.
“É uma grande conquista para o Espírito Santo”, comemora Egídio Malanquini, presidente do Sindicato da Indústria do Café do ES (Sincafé). “A exemplo da valorização do arábica do Caparaó capixaba e do mineiro, o conilon do Norte do Estado, onde ele está sendo reconhecido, passará a ter um valor maior e será muito mais requisitado no Brasil e no mundo.”
Segundo Malanquini, a estimativa é que sejam produzidas, neste ano, de 11,5 milhões a 12 milhões de sacas em 35 mil propriedades rurais, médias e pequenas, espalhadas pelo Estado, gerando até 260 mil empregos durante a colheita.
“Esses números indicam que o Espírito Santo é uma potência no cultivo dessa variedade de café. Se fôssemos um país, seríamos o primeiro produtor do mundo e segundo no arábica”, enumera Malanquini.
"Esse é um marco histórico do café conilon do Espírito Santo. Expresso a minha gratidão a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a aprovação desta IG", diz Luiz Carlos Bastianello, presidente da Federação dos Cafés do ES (Fecafés) e da Cooabriel, a maior cooperativa de café conilon do Brasil.

VARIEDADE É MAIS ADEQUADA PARA CLIMAS QUENTES

O conilon é cultivado principalmente em regiões com temperaturas mais elevadas, tendo em média variações entre 22 °e 26 graus, e também em altitudes menores, chegando até 600 m. As altitudes mais baixas fazem com que o café conilon seja mais encorpado e apresente sabor achocolatado e amendoado, enquanto nas altitudes mais elevadas o café apresenta características mais florais e frutadas, que conferem ao produto perfis sensoriais mais complexos.
Com a concessão para o conilon do Espírito Santo, o Brasil passa a contar com 12 IG para o café de diferentes regiões do País, sendo quatro Denominações de Origem (DO) e oito Indicações de Procedência (IP). O Estado tem outras IGs como o inhame de Santo Bento de Urânica, o café do Caparaó, as paneleiras de barro, o cacau de Linhares, o mármore de Cachoeiro e o socol de Venda Nova do Imigrante.

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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