A velocidade e o frenesi das transformações e mudanças nos têm impelido forçosamente ao enfrentamento de um desafio instigante, especialmente quando nos propomos a analisar, perceber e entender movimentos e fenômenos que acontecem ao nosso redor. É a avaliação que faço, circunscrito, naturalmente, ao campo de observação que me cabe decifrar, representado pelos fatos e movimentos na economia.
Levantei o tema dos cafés especiais no Espírito Santo no meu artigo anterior. Não sem justificativa, pois podemos identificar e descobrir coisas e movimentos que às vezes as aparências não nos põem ao alcance do desejado conhecimento e consequente decifração das realidades específicas.
E nesse aspecto, exatamente por força da velocidade das transformações, o recomendado é que acompanhemos e decifremos esses movimentos enquanto estes de fato acontecem. A pandemia vem reforçar essa avaliação.
Eu ousaria afirmar que os avanços alcançados na produção de cafés no Espírito Santo, e isso é válido também para o Brasil, não se prendem tanto mais a questões de produtividade, resistência às variações climáticas e qualidades inerentes às novas variedades. A clonagem representou uma grande revolução no cultivo do conilon. O Espírito Santo é referência mundial no seu cultivo. Assim como novas variedades do arábica, sobretudo patrocinados pelas pesquisas produzidas pelo Incaper.
Mas, o grande diferencial atualmente, e que vem se mostrando de forma crescente nesse novo mundo dos cafés, está na incorporação de conhecimentos científicos, desenvolvimento de pesquisas, aplicações de novas tecnologias e processos continuados de inovação. E é nesse campo que o Espírito Santo vem se colocando e ocupando espaços: produção cada vez mais sustentável, tecnologicamente avançada, complexa e sofisticada.
Não nos surpreende, por exemplo, o fato de encontrarmos jovens, recém formados no Ifes, produzindo cafés de alta qualidade, em regime de produção familiar, aplicando conhecimentos avançados, tecnologias antenadas na era digital, e ao mesmo tempo estabelecendo relações comerciais com mercados no exterior, exigentes e sofisticados. Estes descobriram o novo mundo dos micro lotes de cafés especiais.