A cultura do café está na raiz da formação da economia e da sociedade capixaba. Por mais de cem anos, desde meados do século 19, protagonizou a ocupação territorial e o surgimento de vilas e cidades. Para quem vaticinava sua subjugação ao processo de industrialização e urbanização desencadeada a partir da década de 1970, e principalmente após a sua quase erradicação em meados dos anos 1960, com certeza frustrou-se com a sua renovada, transformadora e repaginada volta ao palco das atenções.
E agora, não mais preso à expressão singular de café do Espírito Santo, aquele café de baixa produtividade e pouca qualidade do passado, como ficou por muito tempo conhecido, mas num sentido plural e dinâmico, carregado de conhecimentos, de inovações e também de surpresas. Ou seja, não mais café, mas cafés que emergem de verdadeiros mosaicos de origens, identidades, aromas, sabores e narrativas que lhes dão vida.
O Espírito Santo adentrou-se e continua adentrando-se no novo mundo dos cafés. Seja pelo arábica, que hoje representa cerca de 25% da produção, ou pelo conilon, sem dúvida destaque no mundo. E nesse aspecto, a natureza lhe tem sido pródiga, pois a diversidade de microclimas e da sua topografia ensejam-lhe constantes oportunidades de ensaios, experimentos e inovações. Mostra-se, assim, como um amplo e diversificado campo para novidades e até surpresas.
Evidências desse novo mundo dos cafés podem ser vistos de forma crescente através das mais diferentes mídias. A Gazeta, por meio de seus diversos canais, por exemplo, tem mostrado de forma sistemática e no percurso do tempo os casos de sucesso, as premiações de cafés especiais, o progresso na condução das lavouras e também as novidades que ocorrem na ponta do consumo.
Eu pessoalmente acompanho de perto esse mundo do café desde a década de 1970. Em grande medida motivado pela minha origem, mas também pela minha história vinculada à docência universitária, ao estudo, à pesquisa e a questões que dizem respeito ao desenvolvimento econômico do Estado.
E foi nessa perspectiva que em junho de 2019 participei da Feira Internacional de Cafés Especiais em Berlim, na Alemanha. Naturalmente como visitante curioso. E lá tive a grata surpresa de ver o Espírito Santo representado por alguns de seus cafés especiais e também especialistas que operam nesse seleto e ao mesmo tempo bem diversificado e cada vez mais sofisticado mercado. Assunto que merece ser abordado em mais artigos.