Se considerássemos o Espírito Santo como um país independente, teríamos uma economia fortemente superavitária em suas relações com o mundo exterior ao seu território: nacional e internacional. Condição que não suscita estranheza pelo simples fato de dispormos de um território relativamente pequeno e um mercado também reduzido. Afinal, somadas todas as riquezas que produzimos, representamos apenas cerca de 2% do total de riquezas anualmente produzidas no Brasil.
Além disso, por características que lhes são bem específicas, mas que também se lhes apresentam como estruturais, o seu mercado interno, especialmente enquanto mercado consumidor em proporção ao mercado nacional, mas também em relação à massa de renda apropriada, mostra-se relativamente menor do que sua participação no PIB.
Evidências explicadas em grande medida pelo elevado peso relativo da produção de commodities, sobretudo as que compõem as atividades extrativas minerais – gás, petróleo e minério de ferro.
Não há demérito algum às commodities. Até porque estas desempenharam e ainda desempenham papel relevante no crescimento e desenvolvimento da economia capixaba nos últimos 50 anos. São elas que garantem o nosso superávit comercial com o mundo exterior. E, sem dúvida, suas bases de produção contribuíram enormemente para o amadurecimento, qualificação e ganhos de escala para a economia como um todo.
Mas, como bem alertou Leo de Castro no seu artigo em A Gazeta do último domingo, é preciso pensar em uma nova economia, uma economia mais dinâmica, complexa e também sofisticada, condizente e coerente com as novas exigências da competitividade entre países e blocos econômicos. Porém, também nacionalmente.
E nesse aspecto, é possível desenhar uma política de desenvolvimento que combine produção em escala, ou seja, de commodities, com diversificação, ganhos em complexidade e o que poderíamos chamar de economias de escopo, com alto potencial de gerar impactos de forma generalizada e regionalmente.
Digo também nacionalmente porque, se bem observarmos nossas relações comerciais com os demais Estados, vamos ver que nossa abertura econômica é ainda maior. Chega a mais de 200% em relação ao PIB estadual. Mais precisamente, 110% se tomarmos nossas exportações para outros Estados, e 98% se estamos falando das importações que fazemos de outros Estados.
Esses números e cálculos são hoje possíveis graças à nova matriz de insumo-produto elaborada pelo Instituto Jones dos Santos Neves para o ano de 2015. Aliás, uma excelente ferramenta a ajudar na formulação dessa nova política de desenvolvimento.