Em verdade o comércio exterior sempre desempenhou papel importante na economia capixaba. Desde a década de 1970 os períodos de melhor desempenho do PIB, o total de riqueza anualmente produzida pelo Estado, coincidiram com taxas elevadas das suas exportações. Agora, mesmo em plena pandemia, que impõe limitações a parte significativa da economia, é muito provável que as atividades que historicamente tem operado no mercado externo venham a ser beneficiadas pela retomada das economias, já em curso, nos países tradicionalmente nossos importadores.
Por muitos anos o Espírito Santo manteve-se no topo do ranking do grau de abertura externa de sua economia, relativamente aos demais Estados. Esse grau de abertura, que está hoje no patamar de 42%, já chegou a bem mais que isso nos períodos de auge das commodities, e é medido pela relação entre o fluxo de comércio exterior – importações mais exportações – e o PIB. É onde encontramos explicação, por exemplo, para o crescimento de cerca de 15% do PIB estadual em 2010, logo após a crise global que teve início em 2007.
Mas, então, porque acreditar no setor de comércio exterior como fator a impulsionar a economia capixaba ainda em 2021? As razões nos parecem até óbvias quando nos deparamos com a evidência de que essa nossa abertura externa está concentrada em dois grandes blocos de mercado que já apresentam sinais sólidos de normalização e retomada econômica. Refiro-me aos mercados americano e asiático; este último sob a liderança da China.
Observando dados mais recentes do fluxo de nossas exportações, vamos ver que esses dois blocos de mercado responderam por algo em torno de 60% do total exportado no ano passado, em valores monetários. Ficando os Estados Unidos com a fatia de 30% e a China 10%. Mas, o que chama a atenção é o mercado americano. Enquanto aproximadamente 77% do total do valor exportado para os Estados Unidos concentraram-se em rochas ornamentais (47%), celulose (25%) e café (5%) e laminados de aço, para a China, 41% correspondeu a celulose e 33% a minério de ferro.
Nossa pauta de exportações para os Estados Unidos é mais complexa e diversificada. E isso nos traz vantagens, pois tem maior poder de impacto, com o acionamento de multiplicadores de efeitos sobre cadeias produtivas com maior dispersão territorial e agregação de valor, a exemplos do setor de rochas ornamentais, celulose e café. Diante de um verdadeiro apagão de notícias boas, soa como alento e ajuda a melhorar as expectativas.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta