Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Radar econômico

Economia brasileira está sob ameaça da estagflação

Possível retomada da economia em V parece agora sucumbir aos caos da pandemia

Públicado em 

20 mar 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Queda no PIB
Queda no PIB impactou a economia Crédito: Pixabay
As expectativas, muito provavelmente espelhando mais desejos do que perspectivas concretas e validação de fato, no tempo, que vislumbravam uma possível retomada da economia em V, parece agora sucumbirem aos caos da pandemia. Simbolicamente, a parcela visível do V detectada na segunda metade de 2020, serviu apenas para acalentar expectativas. Porém, sem o acionamento das engrenagens que normalmente fazem a economia reagir e caminhar mais seguramente. Ao contrário, o país se vê, agora, sob a ameaça de um fenômeno, que não é novo, chamado estagflação.
Como dizia o filósofo Santo Agostinho no seu livro “Confissões”, o passado já não é, fixando-se apenas na memória, o presente flui, pois vive-se sempre o presente, e o futuro se mostra através de expectativas. Trazendo essa reflexão para o campo da economia, ainda temos a estagflação apenas na memória, e de tempos bem próximos: 2015 e 2016. Para alguns, talvez nem na memória está. Mas, na fluidez do presente, podemos detectar elementos a alimentar expectativas do que possa acontecer. É onde encontramos “germens” de estagflação já operando e influenciando expectativas e decisões no presente.
Mas, o que significa estagflação? Casos clássicos de estagflação são reportados ao período pós Segunda Guerra na Alemanha, e nos Estados Unidos, nas décadas de 1960 e 1970. Acontece quando o processo inflacionário, ou seja, de aumento médio de preços, vem associado à queda geral das atividades econômicas. Exatamente o que aconteceu em 2015 e 2016. Nesses dois anos, enquanto a inflação acumulada chegou a cerca de 23%, as atividades econômicas caíram em torno de 8%.
A estagflação já é detectada quando comparamos a variação do PIB e da inflação nos últimos 12 meses. Enquanto ainda não recuperamos o patamar do PIB, que caiu 4,3% em 2020, a inflação já chega a 7,4%. E a tendência é que esse movimento se mantenha, principalmente por conta do recrudescimento da pandemia e lentidão na vacinação em massa.
Em economia, as expectativas desempenham um papel fundamental nas decisões que acontecem no fluir do tempo presente. Expectativas mais positivas, por exemplo, tendem a antecipar decisões de investimentos e gastos. Ao contrário de expectativas em queda, que normalmente fazem os entes econômicos retardarem ou mesmo desistirem de suas decisões pensadas para o presente. E é esse o cenário que se desenha para este ano, infelizmente.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Novos documentos mostram "contabilidade" do esquema de tráfico com policial do Denarc
Imagem de destaque
Estudo orienta inclusão de todos os municípios do ES na área da Sudene
Imagem de destaque
Jantar leve e saudável: 3 receitas com proteínas vegetais para o dia a dia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados