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Dinheiro para filme

As reações de políticos do ES à conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Mesmo com visões diferentes sobre o episódio, lideranças de direita e esquerda convergem em um aspecto: é preciso investigar

Publicado em 14 de Maio de 2026 às 18:56

Aline Nunes

Publicado em 

14 mai 2026 às 18:56

O áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, repercute no mercado político desde quarta-feira (13), dentro e fora do país. No Espírito Santo, apesar das diferentes visões sobre o episódio, lideranças da direita e da esquerda convergem em um ponto: é preciso investigar. 

Senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro: áudio de conversas entre os dois movimentou o cenário político Carlos Alberto Silva e Divulgação

O senador Magno Malta (PL), do mesmo partido de Flávio e aliado de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro, referiu-se a Vorcaro como "símbolo de coisa suja", mas indicou seu apoio ao pré-candidato, a quem chamou de "amigo" em vídeo publicado em suas redes sociais. 


"Agora, uma coisa precisa ser dita com clareza: o Banco Master precisa ser passado a limpo. Isso é fato! E, como você mesmo disse no seu vídeo — dirigindo-se a Flávio, neste trecho — chegou a hora de investigar, colocar tudo em cima da mesa e mostrar ao Brasil quem realmente deve explicações à nação."


Na postagem, Magno revelou que todos foram pegos de surpresa pela divulgação do áudio, em que Flávio pede dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a história do pai, Jair. O senador considera, porém, que as conversas não indicam ilegalidade, porque falavam sobre patrocínio de uma obra. 


Informações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, e confitmadas por diversos veículos de comunicação com fontes da Polícia Federal, apontam que Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões. O áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos do ex-banqueiro. 


Flávio confirmou o pedido de financiamento a Vorcaro, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.


Também em vídeo nas redes sociais, Marcos do Val (Avante) lembrou sua participação em "Tropa de Elite 2" para argumentar que a conversa entre Flávio e Vorcaro tinha o propósito de fazer captação de recursos. "Não há nada de ilegal. Não é um dinheiro que estava pedindo ao Vorcaro para comprar uma casa, para corrupção, para usar para campanha, para qualquer outros fins ilícitos", defende o senador, que faz coro por uma CPI do Banco Master.


Na esquerda, completando a bancada de senadores do Espírito Santo, Fabiano Contarato (PT) subiu o tom ao falar sobre a necessidade de apuração. “É grave que um pré-candidato à Presidência da República trate de recursos financeiros com um banqueiro para promover interesses pessoais e familiares", diz o parlamentar, em nota à reportagem. 


"O Brasil não aguenta mais a velha política das relações promíscuas entre poder econômico e poder político. Tudo precisa ser investigado com rigor, transparência e responsabilidade. Ninguém pode estar acima da lei”, completa.

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Também do PT, os deputado federais Helder Salomão e Jack Rocha criticaram a proximidade do senador e do ex-banqueiro, preso preventivamente em Brasília desde março e apontado como líder de um esquema bilionário de fraudes. 


Para Helder, a divulgação das conversas entre o senador e o banqueiro, indica uma confissão da conexão entre eles, antes negada. “O vazamento do áudio e de outras informações revela uma relação de intimidade, não é algo institucional de um senador e pré-candidato à presidência, com o presidente de um banco que promoveu a maior fraude bancária da história brasileira”, pontua. “A forma como se tratam no áudio, chamando de irmão, só se dá entre pessoas próximas."


Já Jack avalia que a conversa vazada revelaria os interesses do bolsonarismo. “Flávio Bolsonaro chamou Daniel Vorcaro de ‘irmão’ enquanto articulava R$ 134 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Agora, Vorcaro está preso acusado de fraudes bilionárias no Banco Master. Isso revela muito sobre as prioridades desse grupo político: o roteiro nunca foi sobre o povo brasileiro, sempre foi sobre poder, dinheiro e autopromoção.”


É a mesma linha do comunicado do Partido dos Trabalhadores do Espírito Santo, presidido no Estado pelo deputado estadual João Coser. Em nota, a legenda afirma que o caso reforça, mais uma vez, o histórico de escândalos, suspeitas e conexões obscuras que cerca o bolsonarismo. 


“É inaceitável que um grupo político que construiu sua imagem pública em cima de um falso moralismo apareça, repetidamente, associado a episódios dessa natureza.”


Em Brasília, a bancada governista defendeu a instalação da CPMI do Banco Master, a apresentação de uma notícia-fato à Polícia Federal para aprofundar as investigações e o acionamento do conselho de ética do Senado contra Flávio Bolsonaro por quebra de decoro.

Guerra de narrativas e ano eleitoral

Já à direita, políticos do Espírito Santo argumentam que a conversa revelada pelo The Intercept não apresenta nenhuma ilegalidade. Para o deputado federal Evair de Melo (Republicanos), o debate em torno do caso tornou-se uma guerra de narrativas. "Pelo que sabemos, não houve nenhuma ilicitude, nem troca de favores. O PL todo assinou CPI do Banco Master. Precisamos aguardar os encaminhamentos para uma análise mais profunda, nem toda fumaça vira fogo", ressalta. 


Os também deputados federais Da Vitória (PP) e Messias Donato (União) frisam que o dinheiro doado por Vorcaro tinha como destino uma "produção privada", mas acrescentam que o episódio merece apuração. "Estamos falando de uma produção privada, que aparentemente não envolve recursos públicos, embora qualquer relação com pessoas investigadas em episódios de grande repercussão chame a atenção da sociedade e demande esclarecimentos", diz Da Vitória. 


"Flávio é uma das maiores lideranças da direita brasileira e, justamente por isso, virou alvo de uma operação política orquestrada para tentar tirá-lo do jogo eleitoral de 2026. Acredito na palavra do Flávio e, mais do que nunca, é fundamental a instalação da CPI do Banco Master para separar inocentes de culpados e ir até o fim na apuração de um esquema que movimentou bilhões e envolve nomes do mundo político, do mercado financeiro e até de setores do Judiciário", defende Donato. 


O argumento de que não há verba pública envolvida é o mesmo de Flávio Bolsonaro. Após negar o financiamento, o senador admitiu que pediu dinheiro a Vorcaro e disse que "o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". 


Da Vitória reforça que é importante que os fatos sejam apurados com equilíbrio, respeitando o contraditório e o devido processo legal. "Claro que, em um ano eleitoral, o tema acaba sendo politizado. Por isso, é fundamental que as instituições atuem com absoluta isenção, responsabilidade e imparcialidade, sempre em defesa da lei e do interesse público, sem qualquer tipo de contaminação política.”

Pedido de cassação

A deputada Camila Valadão, liderança do Psol na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), ressalta que o partido fez o pedido de cassação do mandato do senador. 

"As revelações sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro escancaram a hipocrisia do bolsonarismo. Durante meses, o senador da extrema-direita tentou associar o escândalo do Banco Master exclusivamente à esquerda, enquanto escondia sua própria relação financeira com o banqueiro investigado por fraudes bilionárias com quem demostra, pelos áudios, ter bastante intimidade."


Na opinião da parlamentar, é muito grave ver um senador que pedia CPI e dizia que o caso estava “longe da direita” admitir, agora, que negociou mais de R$ 100 milhões para financiar um filme sobre o pai. "A cada nova informação, fica mais evidente a contradição entre o discurso público e a prática política da família Bolsonaro", pontua Camila.

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