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Eleições 2026

Aliados de Flávio Bolsonaro veem abalo de confiança por elo com Vorcaro e temem mais acusações

Apoiadores e integrantes da campanha reclamam que foram pegos desprevenidos sobre contato com dono do Banco Master; líderes afirmam que candidatura do filho do ex-presidente Bolsonaro está mantida, mas parlamentares receiam que outros diálogos surjam

Publicado em 14 de Maio de 2026 às 08:16

Agência FolhaPress

Publicado em 

14 mai 2026 às 08:16
BRASÍLIA - A revelação de conversas e uma relação de intimidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após o pré-candidato dizer publicamente e reservadamente para líderes de direita que não tinha contatos com o dono do Banco Master, causou uma sensação de quebra de confiança entre seus apoiadores.
Políticos ouvidos pela reportagem afirmam que o clima é de apreensão por causa da expectativa de que novos diálogos possam surgir contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Senador Flávio Bolsonaro Tânia Rêgo/Agência Brasil | Arquivo
Na avaliação de lideranças do PL, o pedido de financiamento para o filme "Dark Horse", revelado pelo site The Intercept Brasil, é algo de menor gravidade e possível de ser contornado se comparado com o caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar foi alvo na semana passada de uma operação da PF, sob suspeita de ter recebido R$ 300 mil mensais para defender o banco no Congresso. Ele nega.
O problema, avaliam seus aliados, foi Flávio mentir para os próprios correligionários e também publicamente sobre não ter nenhuma relação com Vorcaro. O áudio revelado mostra o pré-candidato chamando o dono do Master de "irmão". Mensagens também demonstram proximidade, inclusive conversa sobre um jantar na casa do ex-banqueiro.
Se tivesse avisado do pedido de financiamento para o filme, seus aliados dizem que poderiam ter no mínimo preparado um discurso para reação rápida caso a delação fosse revelada. Os correligionários reclamam que foram pegos desprevenidos.
Um deputado do PL afirma reservadamente que Flávio deveria ter se antecipado quando o escândalo do Master estourou e falado de antemão que havia firmado um trato com Vorcaro para financiar o filme, mas que agia de forma transparente ao revelar o contrato — o que esvaziaria as acusações.
A falta de alerta aos aliados, mesmo que num grupo mais restrito, também atrasou a reação da campanha à denúncia e dificultou uma resposta mais coordenada nas redes, o que ampliou o desgaste da pré-candidatura e levantou mais suspeitas de irregularidades.
Dessa forma, eles apontam que será difícil desfazer a imagem de "mentiroso" perante o eleitorado. Internamente, consideram que a quebra de confiança também é irreversível. A mensagem que fica, segundo descreve um correligionário, é "se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais", situação que causa apreensão sobre novas denúncias.

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Por enquanto, com base na revelação atual de que Flávio pediu recursos e recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar o filme, a avaliação interna é de que o caso provocará desgaste eleitoral, mas pode ser esquecido até outubro, principalmente pelo provável envolvimento de outros políticos no escândalo.
O clima é de manutenção da pré-campanha de Flávio e, internamente, não se cogita uma mudança na chapa. Entre parlamentares da base bolsonarista sem tanto vínculo com a cúpula, no entanto, a percepção é de que novas revelações podem abalar a pré-candidatura e forçar o PL a uma substituição, sob risco dos votos da direita migrarem para outros candidatos do campo conservador, como o ex-governador Romeu Zema (Novo).
Zema até então poupava Flávio e concentrava suas críticas no centrão ou no STF (Supremo Tribunal Federal) enquanto era cotado como vice. Nesta quarta (13), após a revelação das conversas, o ex-governador mineiro afirmou que a atitude do senador era "imperdoável" e "um tapa na cara dos brasileiros de bem".
Já Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que Flávio precisa se explicar sobre a relação com Vorcaro, mas depois gravou um vídeo "fazendo uma reflexão", defendendo que a centro-direita não pode se dividir e que o "fundamental é derrotar o PT e o Lula" no segundo turno da eleição.
Os aliados do senador minimizam a situação, afirmando que não há ilegalidade no pedido de financiamento e que o caso não envolveu dinheiro público nem houve contrapartidas a esse aporte de recursos. Eles dizem que o Master operava com aval do Banco Central e que, na época, a toxicidade de Vorcaro não era conhecida.
Integrante do grupo de deputados do PL encarregado de promover a campanha de Flávio nas redes, Carlos Jordy (RJ) diz que a crise não deve atrapalhar a eleição. "Não há ilegalidade em pedir um financiamento, principalmente quando não se tem acesso à Lei Rouanet. Lula e [Michel] Temer também tiveram filmes financiados por Vorcaro", disse à reportagem.
Integrantes da campanha falam ainda em assassinato de reputações por parte do PT e atribuem a notícia a um vazamento seletivo da Polícia Federal, encarregada de periciar os celulares de Vorcaro. Segundo eles, era esperado que Flávio fosse vítima do que enxergam como uma máquina de propaganda negativa do governo federal.

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