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Análise

Saiba por que o câmbio no Brasil está sob pressão

Para piorar a situação, poderemos ter pela frente uma pressão adicional sobre o câmbio tendo como origem a economia americana

Públicado em 

06 mar 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Câmbio em crise: Brasil tem dificuldades de controlar a alta do dólar
A pressão interna sobre o câmbio tem origem causal, dentre outras, nas trapalhadas e atropelas promovidas pelo presidente Bolsonaro Crédito: Pixabay
Numa relação causal direta, as variáveis câmbio e preço internacional do petróleo são efetivamente responsáveis pela escalada dos preços dos combustíveis no país. E as duas estão atuando mais fortemente nos últimos meses. O barril de petróleo vem seguindo expectativas de retomadas das maiores economias, como a chinesa e a americana. Já o dólar, pelo menos até o momento, está carregando mais componentes internos do que externos. Mas, o certo é que essas duas variáveis continuarão a ser pressionadas. Com probabilidade maior para o caso do câmbio.
A pressão interna sobre o câmbio tem origem causal, dentre outras, nas trapalhadas e atropelas promovidas pelo presidente Bolsonaro. Certamente, não sabe ele, que o tumulto que provocou com suas intempestivas interferências na Petrobras, com abertura para outras incursões já sinalizadas para energia e Banco do Brasil, tem se constituído na principal fonte de pressão sobre o preço do dólar no país. As consequências são óbvias e não se restringem apenas aos combustíveis, mas uma infinidade de produtos que dependem de componentes importados.
Outro componente de pressão sobre o câmbio, este também interno, advém do aumento do risco Brasil, com destaque para o risco fiscal. Com a percepção de risco crescendo, investidores externos não se sentem motivados a destinarem suas poupanças para o país. Ao contrário, as retiram, como fizeram nesses últimos tumultuados dias. O agravante é que poupadores internos já estão também recorrendo a mercados externos para suas aplicações.
Para piorar a situação, poderemos ter pela frente uma pressão adicional sobre o câmbio tendo como origem a economia americana. Lá, já se projetam expectativas de que com a mega ajuda de quase dois trilhões de dólares, a inflação voltará, mesmo que contida. 
Esse movimento forçará o FED, o Banco Central Americano, a rever a sua política de “easy money” – dinheiro fácil, de juros baixíssimos. Assim, títulos do Tesouro Americano ficarão mais atraentes. E no Brasil, títulos da nossa dívida ficarão relativamente menos atraentes, tendo que pagar prêmios mais altos. Consequências óbvias: redução da oferta interna de dólar e câmbio pressionado para cima.
Como todo jogo que envolve variáveis econômicas, nesse cenário teremos perdedores e ganhadores. Perde a maioria da população, prejudicada pela inflação, ganham os exportadores, pois seus produtos ficarão mais baratos lá fora, e também os rentistas de sempre com perspectiva de ganhos maiores no mercado financeiro. Há tempo, ainda, para que se tomem medidas de correção de rumos. O tempo, no entanto, já se mostra extremamente escasso.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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