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Alergia alimentar

O que é APLV? Entenda a alergia à proteína do leite de vaca em recém-nascidos

A alergia alimentar mais comum na infância e que ainda apresenta desafios importantes no diagnóstico

Publicado em 17 de Maio de 2026 às 09:00

Guilherme Sillva

Publicado em 

17 mai 2026 às 09:00
Bebê tomando leite
Bebê tomando leite shutterstock

Choro frequente, vômito, cólica, dentre outros. Para muitas famílias, esses sinais parecem parte natural dos primeiros meses de vida do bebê. Mas, em alguns casos, podem indicar algo além do esperado: a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), a alergia alimentar mais comum na infância e que ainda apresenta desafios importantes no diagnóstico.

 

De acordo com o posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a alergia alimentar é reconhecida como um importante problema de saúde pública global, acometendo cerca de 8% a 10% das crianças e dos adultos, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Na infância, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é a mais frequente, sobretudo nos primeiros anos de vida, período em que os sinais clínicos costumam ser inespecíficos e podem se manifestar de diferentes formas, dificultando sua identificação precoce.

 

Isso acontece porque os sintomas da APLV se sobrepõem a manifestações muito comuns nessa fase da vida. Cólica, regurgitação e irritabilidade, por exemplo, podem fazer parte do desenvolvimento normal ou de outras condições clínicas. “Na prática, o que torna o diagnóstico desafiador é justamente essa semelhança com situações comuns do dia a dia do bebê. Muitas vezes, não existe um sinal único que indique a APLV, mas sim um conjunto de manifestações que precisam ser observadas ao longo do tempo”, explica Cristina Targa, gastroenterologista pediatra.

 

Outro fator que contribui para esse cenário é a forma como a alergia se manifesta. A APLV pode ocorrer por diferentes mecanismos do sistema imunológico, o que influencia diretamente o tempo de resposta do organismo. “Existem casos em que os sintomas aparecem quase imediatamente após a ingestão de leite e derivados, mas também há situações em que eles surgem horas ou até dias depois. Essa variação dificulta a associação direta com o alimento e exige uma investigação mais cuidadosa”, destaca a especialista.

 

Na prática, isso significa que o diagnóstico raramente acontece a partir de um único sinal isolado. Ele é estabelecido a partir da observação do padrão dos sintomas, como a frequência com que aparecem e sua intensidade.

 

Para ajudar na identificação da APLV, a pediatra reforça a importância de olhar para o conjunto de sinais e para a evolução do quadro:

 

  • Irritabilidade frequente e choro persistente
  • Cólicas intensas ou fora do padrão esperado
  • Vômitos ou refluxo recorrente
  • Diarreia ou constipação
  • Sangue nas fezes
  • Dermatites ou manchas na pele, quando associadas a outros sintomas
  • Congestão nasal ou sintomas respiratórios, especialmente quando associados a outros sinais
  • Dificuldade de ganho de peso

 

Diferentemente de outras condições, a APLV não é confirmada por um único exame. O diagnóstico envolve etapas como a análise do histórico do bebê, a observação dos sintomas e estratégias como a exclusão e posterior reintrodução da proteína do leite na dieta. 


“Os exames podem ajudar, mas eles não substituem a avaliação clínica. O que realmente orienta o diagnóstico é a dieta de exclusão por algumas semanas, seguido da reexposição desse alérgeno ao bebê, o que permite confirmar ou descartar o diagnóstico”, complementa a médica.

 

Outro ponto importante é que a APLV pode ocorrer também em bebês em aleitamento materno exclusivo. Isso acontece porque proteínas do leite consumidas pela mãe podem ser transferidas para o bebê. “Muitas famílias se surpreendem com essa possibilidade. Por isso, quando os sintomas persistem, é essencial avaliar todo o contexto alimentar, inclusive o da mãe, sempre com orientação profissional”, explica. Ainda assim, é importante destacar que a mãe pode continuar amamentando.

 

Na rotina das famílias, esse caminho costuma ser marcado por dúvidas e até mesmo angústia até que se chegue a uma resposta. A dificuldade em identificar a causa dos sintomas faz com que muitos pais passem semanas, ou até meses, tentando entender o que está acontecendo com o bebê. O diálogo entre família e pediatra permite ajustar a investigação e avançar com mais segurança.

 

Sem o diagnóstico correto, os impactos podem ir além do desconforto imediato. A persistência dos sintomas e a incerteza podem afetar o bem-estar da criança e a rotina da família. “Com informação e acompanhamento adequado, é possível transformar esse processo em algo mais leve. O diagnóstico pode até levar tempo, mas ele é fundamental para garantir o tratamento correto e a qualidade de vida da criança”, conclui.

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