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Economia e política

O Brasil precisa de liderança

O país não está “quebrado”, como o presidente Bolsonaro declarou dias atrás a apoiadores. Precisamos de lideranças que deem encaminhamento às medidas necessárias para reequilibrar as contas públicas e induzir o desenvolvimento do país

Públicado em 

10 jan 2021 às 06:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Palácio do Planalto, em Brasília
Palácio do Planalto, em Brasília: aguardamos as cenas dos próximos capítulos Crédito: Divulgação
Todos sabemos que o Brasil enfrenta um grave problema fiscal, com previsão de um déficit primário de R$ 880 bilhões em 2020, segundo estimativas do próprio Tesouro Nacional. Mas o país não está “quebrado”, como o presidente Bolsonaro declarou dias atrás a apoiadores. A declaração causou um misto de espanto e indignação entre analistas econômicos e lideranças empresariais e políticas.
O país não está insolvente, não chegou ao ponto de não conseguir financiar seu déficit nem de refinanciar sua dívida. Tecnicamente, a declaração foi amplamente contestada. Politicamente, ela acaba por fragilizar a própria liderança do primeiro mandatário, a quem caberia endereçar as soluções, transmitindo confiança e otimismo.
A situação está longe de ser confortável, é verdade. Tivemos um grave período recessivo entre 2014 e 2016. Projeções estimam nova retração do PIB na faixa dos 4% em 2020. Vivemos ainda uma pandemia de graves proporções, com diversos países voltando ao lockdown. Temos 14 milhões de desempregados.
pandemia era inesperada. Mas o imbróglio fiscal, não: há seis anos o Brasil não consegue colocar as suas contas em dia. O presidente certamente tinha ciência disso quando decidiu disputar as eleições de 2018.
O grave cenário em que nos encontramos, contudo, só será superado por meio da política. É ela que poderá nos libertar para crescer, com as articulações para aprovar as reformas estruturantes, as privatizações, a desburocratização e todo o receituário liberal que, por sinal, levaram os eleitores a eleger o presidente, com a grife do ministro Paulo Guedes.
Essa agenda, entretanto, pouco andou, e talvez não seja possível responsabilizar exclusivamente a pandemia. A realidade é que, infelizmente, até agora, não consigo enxergar empenho e priorização do presidente nesse enfrentamento.
Atos e palavras do governo parecem se distanciar das promessas que resultaram na eleição de 2018. O presidente parece trabalhar preocupado primordialmente com a sua reeleição, relembrando a velha política, que tão duramente combateu na campanha eleitoral. É a velha política que pensa na próxima eleição, não na próxima geração.
Momentos de grandes desafios, como este, exigem uma liderança para enfrentar as adversidades com persistência, foco e transparência, adotando medidas muitas vezes impopulares, promovendo o debate, na base do diálogo e do convencimento. O que vemos, contudo, são palavras que estimulam o confronto e o tumulto. Se é uma estratégia, tem tudo para dar errado.
Imagine o presidente de uma empresa que diga aos seus colaboradores que a companhia está quebrada e que ele não sabe bem o que fazer. Provavelmente seria afastado do cargo pelo conselho de administração. Se isso é grave em uma companhia privada, o que dizer em um país de 200 milhões de habitantes?
O ex-ministro Mário Henrique Simonsen costumava dizer que o brasileiro é otimista entre o Natal e o carnaval. Estamos nesse período. A recuperação em V observada no terceiro trimestre do ano passado realmente anima o setor produtivo. O índice de confiança do empresário industrial está elevado, e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Brasil crescerá 4% neste ano. Porém, não chegaremos a esse desempenho somente com base no otimismo.
Precisamos de lideranças que deem encaminhamento às medidas necessárias para reequilibrar as contas públicas e induzir o desenvolvimento. O caminho é conhecido e vem sendo debatido há anos. Confrontos, insultos e ruídos não nos levarão a lugar algum.
Como minha profissão exige otimismo, ainda acredito na capacidade do presidente de liderar o país, como tantos que votaram nele, entre os quais me incluo, também acreditam. O governo já disse que em fevereiro, após as eleições para as Mesas da Câmara e do Senado, as reformas iriam deslanchar. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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