O Espírito Santo possui um mercado interno limitado, com população de 4 milhões de habitantes e um PIB de R$ 120 bilhões, menos de 2% do PIB brasileiro. A expansão de sua economia, com atração de novos investimentos, depende, portanto, da ampliação de nossa infraestrutura, para estabelecermos conexões competitivas com o mercado nacional e mundial. A pandemia mostrou a importância de termos alternativas logísticas no Brasil, e o Estado tem potencial para se tornar uma terceira via, em complemento a Santos e ao chamado Arco Norte, que reúne os portos de Estados como Amazonas, Pará e Maranhão.
Nessa terceira via, o Espírito Santo seria uma das principais portas de entrada e saída do que convencionamos chamar de Arco Leste, com parte da infraestrutura já instalada e com menor impacto ambiental, capaz de escoar produção de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.
Para consolidar o Arco Leste, precisamos reforçar a estrutura portuária capixaba com velocidade, daí a relevância do Porto da Imetame e do Porto Central, da renovação da concessão do TVV e da privatização da Codesa, incluindo Barra do Riacho.
Em paralelo, as lideranças estaduais precisam atuar para melhorar a infraestrutura rodoviária e ferroviária para alimentar nossos portos, começando pelo contorno da Serra do Tigre, trecho da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), em Minas, o que poderia ser feito com recursos da renovação antecipada dessa concessão.
Precisamos ficar atentos porque certamente não estamos sozinhos na busca da competitividade logística. Existem projetos concorrentes no país, alguns com a evidente simpatia do governo federal, contrariando a lógica das melhores técnicas de planejamento, que recomendam potencializar a infraestrutura existente, em vez de lançar novos projetos greenfield de alto risco.
O relógio trabalha contra nós. Se dormirmos no ponto, acordaremos na “boca do jacaré”, que vai abrir-se e deixar o Estado no vazio logístico, isolado entre Ilhéus (BA) e o Porto de Açu (RJ). O Arco Leste é o melhor caminho para escaparmos dessa armadilha.