Os países mais desenvolvidos do mundo, os que oferecem mais oportunidades e os melhores serviços públicos para a sociedade são justamente os mais industrializados, e isso não é por acaso. A indústria exerce um papel estratégico na dinamização de todo o setor produtivo, especialmente no desenvolvimento de novas tecnologias e na inovação dos demais setores. Uma economia forte, portanto, depende de uma indústria forte.
Mas o Brasil, infelizmente, vem perdendo relevância no PIB industrial mundial. A participação brasileira na indústria mundial caiu de 3,1% em 1994 para 2,1% atualmente. Pode parecer pouco, mas é uma queda absurda de mais de 30%, e coincide com o período em que o país deixou de priorizar uma política industrial. A indústria brasileira já foi responsável por quase 50% do PIB nacional, na década de 80. Hoje ela representa apenas 21%.
Países como Alemanha, Coreia do Sul, EUA têm na política industrial uma ferramenta decisiva para inserir suas indústrias em cadeias globais, para gerar riqueza, induzir à inovação e ao desenvolvimento de novas tecnologias.
A indústria é o setor que paga os melhores salários: a média dos trabalhadores com nível superior no país é de R$ 5,4 mil, a dos empregados da indústria é de R$ 7,3 mil. Com ensino médio, os valores são respectivamente R$ 1,9 mil e R$ 2,2 mil. De longe, a indústria é quem mais investe em pesquisa e desenvolvimento. Ela representa 21% do PIB, mas responde por 68% dos investimentos privados em P&D e ainda por 32% dos tributos federais.
Importante assinalar que, quando defendemos uma política industrial, não estamos sugerindo um mero pacote de subsídios e incentivos concedidos por um Estado complacente com a ineficiência nem ações compensatórias para problemas antigos como o Custo Brasil. Defendemos uma política industrial que induza à produtividade e à inovação, com a inserção do país em cadeias globais, a redução do Custo Brasil por meio de reformas estruturais, com câmbio competitivo e juros que estimulem o investimento.
Câmbio justo e juros baixos parecem questões equacionadas recentemente no atual governo. Neste ponto, avançamos. A Findes e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estão alinhadas com os governos federal e estadual para reduzir o Custo Brasil, numa agenda que inclui ações para reduzir a burocracia, reformar a estrutura tributária, criar infraestrutura, gerar segurança jurídica e otimizar os licenciamentos ambientais.
No Espírito Santo, temos um diferencial, que é o Indústria 2035, projeto elaborado pela Findes com a participação do governo estadual, academia e da sociedade. O 2035 identifica os 17 setores chamados de portadores do futuro, que são as áreas que podem situar a indústria capixaba em posição competitiva em nível nacional e internacional nos próximos anos, tendo o ano 2035 como referência. É uma contribuição fundamental para esse debate.
Mas uma política industrial deve incluir acordos comerciais com outros países, alianças para operar em cadeias globais de valor, investimentos em educação e infraestrutura e instrumentos de crédito de longo prazo. Essa agenda deve ser construída com o apoio de uma instância de alto nível e com diálogo permanente com o setor privado, para a definição transparente de opções estratégicas do governo.
Na CNI, no Conselho de Política Industrial (Copin), que tenho a oportunidade de presidir, temos uma agenda que prevê a criação de uma instância decisória de alto nível, de natureza colegiada, composta pelos vários órgãos públicos que devem atuar de forma coordenada para o planejamento e a execução dessa política, baseada no diálogo e na transparência.
As boas práticas internacionais demonstram que o foco das políticas industriais contemporâneas são a mudança estrutural e o aumento da produtividade da economia, envolvendo inovação, estímulo ao risco e o aumento da eficiência. Esse é o caminho que devemos perseguir, na busca pelo desenvolvimento e prosperidade da nação, gerando oportunidades para as gerações de hoje e do futuro.