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Competência e gestão

Boa política pede líderes que inspirem e atuem pelo conjunto da sociedade

Mesmo com tamanha responsabilidade que os cargos políticos exigem, boa parte de nós, cidadãos, fazemos escolhas não pelo candidato mais qualificado, mas por aquele que vende ilusões ou soluções simples para questões complexas

Públicado em 

04 out 2020 às 05:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Filiados a partidos políticos
Nossa missão é escolher políticos que sejam gestores, pensem na sociedade e não fiquem só nas promessas Crédito: Shutterstock
O exercício da política deve ser visto como uma missão, que combina a vocação e a dedicação própria do sacerdócio. Exige valores firmes, competência técnica, capacidade de gestão, liderança, empatia e habilidade nas relações pessoais. Não é fácil encontrar esse conjunto de talentos.
Política é a arte do possível, dizia Otto von Bismarck, um dos estadistas mais importantes do século 19, que, por sinal, também afirmou: “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”.
Fico, às vezes, perplexo ao perceber que, mesmo com tamanha responsabilidade que os cargos políticos exigem, boa parte de nós, cidadãos, fazemos as escolhas não pelo candidato mais qualificado, mas por aquele que vende ilusões ou soluções simples para questões complexas, sem dizer como entregar. Assim, promessas vão se empilhando no vácuo da miséria e a frustração toma conta da sociedade.
FHC dizia que a sociedade muda quando chega à exaustão. Penso que estamos nesse ponto, exaustos do futuro que não chega, das desigualdades que nos chocam a cada esquina, de bravatas, de fake news, do corporativismo que agrava a desigualdade.
Política exige dedicação, estudo, competência em gestão. Os políticos têm de ser gestores: eles administram organizações complexas, com milhões de clientes que têm demandas diversas, por vezes conflitantes. O político precisa compreender o mundo e o espírito do tempo. Precisa ser capaz de inspirar a sociedade, especialmente os jovens, para que o futuro seja melhor do que o presente.
No livro “Feitas para Durar”, os autores Jim Collins e Jerry I. Porras buscaram entender o perfil dos líderes de organizações exponenciais. Todos imaginavam que o perfil seria de um líder popular, extrovertido e grandiloquente. Mas o estudo mostrou o contrário: líderes de resultado operam com equilíbrio e calma, são introspectivos, muitas vezes tímidos, mas determinados a fazer o que tem de ser feito, com a capacidade de lidar com a diversidade, e firmes no propósito que os guiam.
Esse tipo de líder não agrada a todos, mas é determinado a promover avanços em frentes que são realmente relevantes para que a organização prospere. A política precisa disso. Mais do que ser “pop”, o líder tem de ser eficaz: tem de superar as chagas que esta sociedade carrega e ser reconhecido por isso, não pela retórica vazia.
Não queremos lideranças para nos entreter, queremos lideranças para nos inspirar a sermos melhores como pessoas, como pais, como trabalhadores, como cidadãos.
Soluções para problemas complexos exigem meta clara, estratégia, capacidade de diálogo e negociação para ceder, avançar e convencer. O líder deve promover a convergência, com persistência e capacidade de aglutinar diversos atores.
Também é preciso persistência e continuidade. Portanto, é preciso saber reconhecer a obra dos antecessores para dar sequência aos bons projetos. Precisamos de continuidade com aperfeiçoamento nas agendas públicas. A boa agenda não pertence a um partido ou a um mandato, pertence ao Estado e à sociedade.
O fim da reeleição pode ser um facilitador dessa missão de cumprir um mandato com intensidade, fazendo o enfrentamento do que precisa ser feito, sem receio de desagradar aquele “aliado” de quem você eventualmente precisaria para se reeleger.
Precisamos de profissionais da política dispostos a fazer o que tem de ser feito, pelo conjunto da sociedade, sem se tornar refém de uma sequência de mandatos ou de um projeto de perpetuação no poder.
O Brasil, com certeza, e provavelmente boa parte dos Estados e municípios, têm uma agenda conhecida, com uma série de medidas que todos sabem ser necessárias. O que falta é quem execute essa agenda.
Promessas vãs, bravatas, super-heróis ou salvadores da pátria, tudo isso já se mostrou inútil. Precisamos de valores e de gestão! E é nos municípios que a vida acontece. Então, que possamos fazer as melhores escolhas desde já!

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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