O Brasil já criou diversas categorias e requisitos para o currículo de novos mandatários: Tivemos o incrível “rouba, mas faz”! Parece mentira, mas por algum tempo esse era quase um slogan de campanha; depois, passamos a tolerar aqueles que, em nome da ética, normalizaram a incompetência (como se esta não fosse, em si, antiética) e criaram a igualmente perniciosa, categoria dos que “não roubam nem fazem”.
Aí chegou a fase do fetiche ideológico por canhotos, destros e ambidestros: Primeiro era pecado votar em quem fosse de direita e depois virou sacrilégio votar na esquerda. Vivemos a fase dos “não políticos” e dos representantes de uma seita chamada de “nova política”. Com uma fantasia nova para cada eleição, o lobo vem invadindo a casa dos porquinhos sem precisar “soprar”, bastando estimular os pobrezinhos a apertarem o botão do interfone (urna) do jeito errado e permitir que entre para ocupar a casa por quatro anos, renováveis por mais quatro.
Essas seguidas invasões já causaram tanta fadiga no nosso tecido social que chegaremos tão exaustos em 2022, tendentes a optarmos por uma “nova” categoria: a dos que “não atrapalham”! Já imagino que seja factível a seguinte propaganda eleitoral: não roubo, não faço, não sou de direita nem de esquerda, não sou político nem empresário, não estimulo o fechamento do Congresso e do STF, não xingo jornalistas, não compro sítio em Atibaia, não pretendo estocar vento não digo “tem que manter isso aí...” e tudo o que desejo é ser invisível como presidente. Por isso, vote em quem “muito ajuda porque não atrapalha”!
Caaalma, já explico: caso o Mickey Mouse assumisse a presidência dos EUA, nenhuma catástrofe aconteceria. As universidades norte-americanas continuariam a ter excelente nível, as indústrias seguiriam com a sua enorme força, as tecnologias continuariam a evoluir e o país seguiria registrando recordes em pedidos de novas patentes.
Estima-se que as coisas poderiam até melhorar muito, pois não seriam gastos bilhões de dólares em guerras e, certamente, acabariam os discursos separatistas. No máximo assistiríamos a pequenas intrigas com o Pateta e a Minnie. Então... vivemos um momento singular.
A pandemia já gerou em diversos países, e, também no Brasil, um gigantesco desequilíbrio fiscal que consumiu, em poucos meses, toda a economia que teremos com a reforma da Previdência (em uma década). Porém, e também curiosamente porque Deus é brasileiro, temos hoje condições únicas na nossa história para a mais exuberante recuperação entre os países de renda média.
Conseguimos combinar, por alinhamento de astros, juros baixos (ainda vão cair mais), inflação muito baixa (caindo) e câmbio extremamente competitivo. Tudo o que precisamos para aquecer a economia, gerar emprego/renda e diminuir o buraco nas contas públicas. Ah, se o Mickey não atrapalhar!